Início Economia Governo pode elevar garantia de novo Pronampe para manter interesse de bancos
Economia

Governo pode elevar garantia de novo Pronampe para manter interesse de bancos

Envie
Envie

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O governo Jair Bolsonaro (PL) ainda estuda o percentual máximo de cobertura de inadimplência do novo Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte). O limite máximo pode passar de 20% para 30% a depender da velocidade da concessão de crédito e do interesse dos bancos. O início das operações está previsto para ocorrer até 31 de julho.

O governo entende que, com a inclusão de empréstimos para MEIs (microempreendedores individuais), talvez seja necessário recalibrar o teto de cobertura e espera ter uma perspectiva mais clara do cenário em dois ou três meses após o início das concessões. A tendência, contudo, é manter a cobertura da garantia em 20%, segundo fontes do governo.

Na nova fase do Pronampe, se mantidos os 20% do quanto da carteira é coberto pelo fundo garantidor, o governo projeta alavancar até R$ 65 bilhões em novos empréstimos. O valor é superior aos R$ 50 bilhões estimados inicialmente, dada a expectativa de que R$ 13 bilhões usados como garantia em financiamentos passados voltem a ser disponibilizados para novos empréstimos neste ano e em 2023.

No entanto, a linha será operacionalizada em um momento de alta nas taxas de juros e elevação da inadimplência, o que pode deflagrar maior cautela dos bancos. Por isso, o governo pode acabar elevando a taxa de cobertura da garantia a 30% –o que acabaria, como consequência, reduzindo o volume total de novos financiamentos.

O Pronampe foi criado em 2020 para apoiar micro e pequenas empresas afetadas pela pandemia do novo coronavírus. Inicialmente temporário, o programa tornou-se permanente e virou uma das apostas do governo Bolsonaro para estimular a economia. Na nova fase, passou a incluir os MEIs (Microempreendedores Individuais).

A crise causada pela pandemia de Covid-19 empurrou muitos brasileiros para o empreendedorismo e, desde então, o número de MEIs continua crescendo. A modalidade é responsável por 57,4% dos negócios ativos no Brasil, além de representar 79% das empresas abertas no primeiro quadrimestre deste ano.

No Pronampe, os bancos oferecem crédito aos empreendedores em melhores condições, com taxas de juros mais baixas e exigindo menos garantias e contrapartidas. No novo programa, a taxa de juros anual máxima será igual à taxa Selic (atualmente em 13,25% ao ano), acrescida de 6%. Isso significa juros de 19,25% ao ano.

O crédito concedido no programa será de até 30% da receita bruta anual da empresa calculada com base no exercício anterior ao da contratação. Para empresas com menos de um ano de funcionamento, o limite do empréstimo será de até 50% do capital social ou de até 30% de 12 vezes a média da sua receita bruta mensal apurada desde o início das atividades, em função do que for mais vantajoso.

A renovação do Pronampe está inserida em um novo programa de crédito voltado aos pequenos negócios, chamado Crédito Brasil Empreendedor, que promete injetar cerca de R$ 87 bilhões em financiamentos até 2024. Ele também inclui o Peac (Programa Emergencial de Acesso a Crédito).

MEIs, micro, pequenas e médias empresas com faturamento de até R$ 300 milhões ao ano poderão acessar a linha. No caso do Peac, a taxa de juros média praticada pelos bancos será de 1,75% ao mês (21% ao ano).

No Peac, os níveis de garantia variam conforme o porte da empresa. Foi estipulado o limite máximo de 30% para cobertura de inadimplência para os MEIs e microempresas, 10% para pequenas empresas e 7% para empresas de médio porte. O governo prevê que o programa também entre em operação até o fim de julho.

Siga-nos no

Google News