Início Economia Governo tem de cortar gastos para financiar desoneração da folha, diz Maia
Economia

Governo tem de cortar gastos para financiar desoneração da folha, diz Maia

Envie
Envie
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a melhor fonte de financiar a prorrogação da desoneração da folha de pagamentos é por meio do corte de despesas do governo. Maia falou antes de sessão para votar projeto que prevê auxílio para agricultores familiares e também do início da discussão do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). Ele defendeu que se discuta o modelo de desoneração e qual a melhor fonte de financiamento para isso. "Eu acho que a melhor fonte para financiar a desoneração é a redução de despesa pública", disse. "Eu acho que a gente não deve transferir para a sociedade essa responsabilidade. A responsabilidade de você gerar uma desoneração, do meu ponto de vista, tem que ser financiada com a redução das despesas do governo federal e abrindo espaço nas despesas existentes para cobrir essa desoneração." A desoneração foi vetada pelo presidente Jair Bolsonaro após recomendação da equipe econômica, que estima que, por ano, deixaria de arrecadar R$ 10,2 bilhões com a isenção. O clima entre parlamentares é contrário à decisão do presidente. Por isso, interlocutores do Palácio do Planalto tentam postergar a votação dos vetos em sessão do Congresso. A desoneração da folha, adotada no governo petista, permite que empresas possam contribuir com um percentual que varia de 1% a 4,5% sobre o faturamento bruto, em vez de 20% sobre a remuneração dos funcionários para a Previdência Social (contribuição patronal). Com a troca, setores com elevado grau de mão de obra pagam menos aos cofres públicos. O incentivo foi criado para estimular a contratação de funcionários. O time do ministro Paulo Guedes (Economia) tem afirmado que, desde a reforma da Previdência, ficou vedado adotar medidas que possam reduzir a arrecadação de recursos do fundo que banca a aposentadoria dos trabalhadores do setor privado. Por isso, seria inconstitucional. Um parecer da Mesa Diretora da Câmara, porém, contesta esse argumento e diz que a prorrogação estaria de acordo com a Constituição. Atualmente, a medida beneficia 17 setores, como companhias de call center, o ramo da informática, com desenvolvimento de sistemas, processamento de dados e criação de jogos eletrônicos, além de empresas de comunicação, companhias que atuam no transporte rodoviário coletivo de passageiros e empresas de construção civil e de obras de infraestrutura. Empresários desses setores, que reúnem cerca de 6 milhões de empregos diretos, dizem que não suportariam esse aumento de custo e que 1 milhão de pessoas poderiam perder os empregos caso o veto seja mantido.

Siga-nos no

Google News