Início Economia 'IBGE Paralelo' será contestado na Justiça, anuncia sindicato em protesto
Economia

'IBGE Paralelo' será contestado na Justiça, anuncia sindicato em protesto

Envie
Envie
Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fizeram um protesto nesta terça-feira, 8, durante a coletiva de imprensa para a divulgação dos preparativos para a Pesquisa de Orçamentos Familiares (2024/2025), que será levada a campo em novembro. A executiva nacional do sindicato dos servidores do órgão, a Assibge-SN, informou que entrará na Justiça pedindo a suspensão da fundação pública de direito privado chamada IBGE+, criada pela atual direção do instituto e apelidada de "IBGE Paralelo".

Em meio à crise interna no instituto, o presidente, Marcio Pochmann, tinha sua participação confirmada no evento, na Casa IBGE, no Palácio da Fazenda, no centro do Rio de Janeiro, mas cancelou sua presença de última hora. Questionada, a direção do IBGE não se manifestou sobre o protesto dos servidores até a publicação desta reportagem.

Os manifestantes levaram faixas pedindo mais respeito e diálogo. Apesar dos apelos e dos ofícios do sindicato à direção, por ora não há qualquer reunião agendada entre Pochmann e os representantes dos servidores.

"Nós vamos entrar na Justiça pedindo a suspensão da fundação. Isso vai ser feito em breve. Nós já estamos com um escritório contratado, especialista nessa situação, e nós vamos judicializar e pedir a suspensão da fundação", declarou Antonio Carlos da Matta, integrante do sindicato. "Porque já tem pessoas sendo indicadas, tanto para conselho curador e para vários cargos dentro da fundação. O sentimento é que isso vai acabar virando cabide de emprego. E o IBGE não merece isso, e a gente não quer isso."

O sindicato observa que o estatuto da nova fundação permite contratação de funcionários pela CLT e obtenção de financiamento por contratos, convênios, acordos de parcerias e outros instrumentos congêneres celebrados com o Poder Público e com a iniciativa privada. Para os servidores, o instituto é um órgão de estado, cujo trabalho precisa ser financiado pela União, não podendo ser privatizado.

"A nossa missão de retratar o país é uma missão de Estado. Ela merece ser financiada pela União, pelo Estado, com verbas do Orçamento. Não cabe a nós na instituição buscar parcerias para financiar algo que é de necessidade da nação. E por isso defendemos inclusive que o IBGE é um órgão de Estado, não um órgão a mercê dos orçamentos de governos de plantão", disse o servidor Marco Andreazzi, gerente na Diretoria de Pesquisas do IBGE.

A Assibge-SN desfiou uma lista de preocupações sobre a fundação criada pela gestão Pochmann: riscos de captura do IBGE pela iniciativa privada, através de venda de pesquisas; riscos à imagem do órgão por conta de a fundação ter nome idêntico ao do instituto; aparelhamento do órgão com nomeações pela direção; implicações derivadas da constituição de uma fundação sem projeto de lei; e falta de diálogo com os servidores sobre esse processo.

O sindicato tem conduzido uma mobilização pedindo diálogo e esclarecimentos à atual direção do IBGE sobre medidas como a criação da fundação IBGE+, alteração no estatuto do instituto, mudança de locais de trabalho de servidores e extinção do trabalho totalmente remoto.

Os núcleos estaduais farão nesta quarta-feira, 9, uma reunião para deliberar sobre os próximos passos do movimento. No último dia 26 de setembro, trabalhadores do IBGE já tinham protestado em frente à sede do órgão, na Avenida Franklin Roosevelt, no Rio. A manifestação, convocada por servidores e endossada pelo sindicato que representa a categoria, tinha como alvo o "autoritarismo" da gestão Pochmann.

Siga-nos no

Google News