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‘Isso não vai adiante. Estamos confiantes’, diz Joesley Batista

RIO - O grupo J&F controla negócios tão distintos quanto a JBS (dona das marcas Friboi e Seara) e a empresa de celulose Eldorado. Em julho de 2016, o conglomerado passou a ser investigado pela Polícia Federal em três operações — Sépsis, Greenfield e Cui Bono — que apuram suspeitas de pagamento de propina para liberação de recursos do FI FGTS, administrado pela Caixa Econômica Federal, e investimentos de fundos de pensão de estatais nas empresas do grupo. Nas três operações, aparece o nome do doleiro Lúcio Funaro, apontado como interlocutor do ex-deputado Eduardo Cunha. Presidente da J&F, holding do grupo, Joesley Batista rebate as denúncias, diz que elas tiveram motivação pessoal e afirma que os pagamentos feitos a Funaro foram comissão por negócios, cobrada na Justiça. Segundo Joesley, as investigações estão afetando os negócios, porque teve de adiar um projeto de R$ 10 bilhões.

Ficamos absolutamente surpreendidos com essa história. Foi uma atitude pessoal do conselheiro Max Pantoja da Costa, não da Funcef (Costa representa o fundo de pensão dos funcionários da Caixa no Conselho de Administração da Eldorado). Na nossa avaliação, os fatos que ele relata na denúncia ao MP são estapafúrdios e mentirosos. Ele diz que as empresas (contratadas para fazer a auditoria na Eldorado) foram tendenciosas. A Ernst&Young e o Veirano (as empresas citadas) são idôneas. E o Conselho aprovou a contratação dessas empresas, inclusive com voto dele. Diz ainda que o comitê interno (para acompanhar a auditoria) não é independente, mas o comitê foi aprovado pelo Conselho.

Quando fez a apresentação, a equipe do Veirano disse que aquilo era um sumário executivo, mas que havia sete meses de trabalho, com documentos em um data room no escritório à disposição dos conselheiros. O Max não foi lá e saiu reclamando que o trabalho estava ruim.

Essa é a pergunta que fica, o que o motivou a fazer isso?

A Ernst&Young e o Veirano terminaram o trabalho dizendo que não há como afirmar que há evidências de relação entre os pagamentos feitos (pela Eldorado) às empresa do doleiro Lúcio Funaro e liberações de recursos do FI FGTS (para a Eldorado ou outras empresas do grupo). É razoável que o MP, após leitura de um sumário executivo de 20 ou 30 páginas, tenha mais convicções que os que ficaram sete meses investigando a empresa?

A J&F é uma holding, não gera caixa. Normalmente, paga-se por conta e ordem. Quando ela tem um pagamento a fazer, ele é feito por outra empresa do grupo.

Isso não vai adiante. Vamos recorrer em segunda instância, caso o juiz acolha o pedido. Estamos muito confiantes na nossa defesa. O Max mentiu.

A holding J&F teve negócio com o Lúcio. Ele vendeu boi para a JBS. Além disso, houve fusão entre Bertin e JBS em 2009. Em 2011, houve uma briga entre nós e a família Bertin. Os Bertin contrataram o Lúcio primeiro, e ele arrumou a briga. Foi criado um litígio, em que a fusão foi questionada. Aí contratamos o Lúcio, e ele viabilizou a compra da parte dos Bertin. Depois, compramos uma empresa no Paraná chamada Big Frango. Ele tinha um contrato com uma subsidiária dessa empresa para comissão sobre venda. E nos cobrou a comissão, e não pagamos. Então, entrou na Justiça e ganhou. Nós pagamos. Foram esses os pagamentos que fizemos ao Lúcio.

Surpreendente. E sabe quem pagou? A Carioca, que eu nunca vi na vida. Essa operação que ele diz que ajudou, não ajudou coisa nenhuma, porque essa operação não era nem da área dele. Depois de fechada a operação, isso vai a um conselho que tem 12 pessoas. O Fábio é um dos 12.

Não é o primeiro delator que nos enfia em coisa. Nunca me conectei com o Fabio. Não sei se o Fabio é do Rio ou de São Paulo, nunca mandei uma mensagem para ele. Mas aquele negócio da viagem ao Caribe é verdade (Fabio Cleto disse em delação premiada que viajou ao Caribe com Joesley e Funaro). Quando você fala assim “viagem ao Caribe”, parece uma intimidade danada. Encontrei o Lúcio e o Fabio na Grécia fazendo não sei o quê. Ele era brasileiro, estava lá. “Vamos nos encontrar, vamos jantar?” Encontramos. “Daqui você vai para onde?” “Tô indo passar um feriado na casa de um amigo meu no Caribe. Vamos?” Eu estava sozinho no meu avião e nele cabem dez pessoas. Ele falou “vamos embora". Entrou no avião e foi.

É, engraçado. Eu fiz isso. A casa era de um amigo meu, o Júnior (João Alves de Queiroz Filho, fundador da Hypermarcas). Ele fica sozinho lá, é uma casa grande, seis quartos, enfim, sou amigo dele. Não quero parecer arrogante. Mas não tiro férias. Faço essas escapadas de fim de semana. Com alguma frequência fui para esse lugar, no meu avião com convidados, que, francamente, tem muitos que eu nem lembro. Só garanto uma coisa. Não tenho conexão com esse rapaz (Cleto).

Estamos hoje focados em fazer nossa defesa ao juiz. Depois vamos certamente acioná-lo.

Em 2016, mesmo com todo o barulho, crescemos e ganhamos market share em todas as divisões. Na Vigor, na Seara, nos EUA. No caso da Eldorado, há um projeto de construir uma nova fábrica. Mas, para construir a fábrica, preciso de crédito, preciso de uma situação mais calma. A gente já postergou o projeto uns seis meses.

No cronograma original ela era para fim de 2019. Já escorregou para meados de 2020. A gente continua formando a floresta. Para uma empresa de celulose, eu preciso de duas coisas: madeira e capital. Madeira, a gente planta ou compra. Capital, a gente precisa estar com a reputação em ordem, né? Isso (as denúncias) obviamente mexe no mercado. A Eldorado tem bastante caixa, mas esse projeto da nova fábrica é um investimento de R$ 10 bilhões.

Tivemos principalmente com bondholders (donos de títulos da Eldorado) e agências de rating.

O grande investimento seria essa fábrica. Mas precisamos resolver primeiro esses sobressaltos. A JBS fez muitas aquisições em 2015. Foram US$ 5 bilhões na JBS e US$ 1 bilhão pela J&F, que foi a compra da Alpargatas. Então, a gente acha que 2016, 2017 e 2018 serão anos de consolidar isso.

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