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Itaú espera aumento de inadimplência neste ano, diz presidente da instituição

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A pandemia ainda pode ter impacto no orçamento familiar e no fluxo de caixa das empresas ao longo deste ano. Segundo o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, esse cenário reforça a expectativa de que os índices de inadimplência do banco registrem alta nos próximos meses. Esse indicador começaria a estabilizar apenas no quarto trimestre.

Segundo a instituição, no início do ano, o ambiente foi mais benigno. "A inadimplência tem vindo melhor do que imaginávamos no primeiro trimestre, refletindo a atividade, a expansão fiscal importante que tivemos no ano passado com o auxílio emergencial e o aumento da poupança, na medida que as pessoas reduziram seus gastos", afirmou Maluhy Filho em teleconferência com jornalistas nesta terça-feira (4) para comentar os resultados do Itaú no primeiro trimestre deste ano.

Na véspera, ao divulgar o resultado referente ao primeiro trimestre deste ano, o Itaú reportou que seu índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 2,3%, valor estável em relação ao trimestre imediatamente anterior e uma queda de 0,8 p.p. (ponto percentual) em comparação aos primeiros três meses de 2020.

Especificamente na carteira de micro, pequenas e médias empresas, no entanto, o índice de inadimplência atingiu 2,5% no primeiro trimestre deste ano, alta de 0,8 p.p. em relação ao visto nos três meses imediatamente anterior e avanço de 0,2 p.p. na comparação anual.

O banco atribuiu a alta principalmente ao fim da carência de contratos que foram flexibilizados nos trimestres anteriores.

"As pequenas e médias empresas, pela própria estrutura de capital, dos canais e dos pontos de distribuição físicos, é um setor que acaba sofrendo muito na pandemia, principalmente com o lockdown e as restrições", afirmou Maluhy Filho.

Nos atrasos entre 15 e 90 dias, o índice ficou em 2% no primeiro trimestre -queda de 0,6 p.p. em relação a igual período de 2020 e avanço de 0,2 p.p. em comparação aos três meses imediatamente anteriores.

O presidente do Itaú afirmou, ainda, que com o aumento da inadimplência, a expectativa do banco é de consumir parte das reservas feitas no ano passado para cobrir eventuais calotes. Em 2020 o banco reservou R$ 29,9 bilhões para este fim.

"Ainda temos muita incerteza ao olhar para frente, mas a principal mensagem é que na medida que o cenário se normalize, nós devemos consumir parte do que provisionamos no ano passado. Mas é importante dizer que temos um cenário com viés positivo para o futuro, apesar da pandemia", disse o executivo.

"Até pelo andar da pandemia, a tendência é que o quarto trimestre seja de maior normalização, com efeitos da vacina e a retomada mais forte da atividade econômica."

Em teleconferência com jornalistas, Maluhy Filho afirmou, ainda, que já protocolou o pedido e agora espera o aval do Banco Central para concluir a aquisição de uma fatia adicional da XP, de 11,38%. A compra foi anunciada em fevereiro deste ano e deve ser concluída em 2022.

Sobre a IRB, resseguradora na qual o banco tem um investimento relevante de 11% de participação, o presidente do Itaú afirmou estar confortável com as mudanças de governança corporativa que a empresa tem apresentado.

"O IRB passou por um cenário complexo e adverso, de má gestão e governança. [...] Mas estamos confortáveis com as mudanças de governança com o IRB e com a limpeza que tem sido feita. Não somos acionistas controladores, mas de acordo com o que temos visto em relatórios de mercado, temos a expectativa positiva de que esses problemas já tenham sido resolvidos", disse Maluhy Filho.

O presidente do Itaú também afirmou que não descarta a possibilidade de ser um dos parceiros dos pagamentos por WhatsApp. "Temos analisado todas as alternativas disponíveis no mercado e somos muito pró-competição. Se isso eventualmente significar fazer parte do [pagamento por] WhatsApp, é algo que está sendo avaliado pelo banco", disse.

Em meados de abril deste ano, o aplicativo de mensagens confirmou que lançará o serviço em breve e com mais parceiros do que o anunciado inicialmente.

O WhatsApp anunciou a função de transferência e pagamentos via aplicativo em junho de 2020, com um sistema desenvolvido inicialmente com as bandeiras Visa e Mastercard, a Cielo como operadora e o Banco do Brasil, o Nubank e o Sicredi como parceiros iniciais.

Dias depois, a Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e o Banco Central suspenderam o acordo entre o WhatsApp e as instituições financeiras, afirmando que haveria dúvidas sobre a natureza do serviço e solicitando esclarecimentos sobre o modelo de negócios.

À época, houve especulação no mercado de que o BC teria acatado uma reclamação dos grandes bancos privados sobre a solução e, ainda, barrado o serviço para proteger o Pix, sistema de pagamentos instantâneos da autoridade monetária que seria lançado em novembro. O BC negou.

O debate entre BC, WhatsApp e as instituições envolvidas durou até 30 de março deste ano, quando a autarquia autorizou o serviço.

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