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Lula diz que governo não pode 'ficar refém da Faria Lima' sobre discussão de déficit fiscal

Estadão

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta quarta-feira, 8, que o governo "não pode ficar refém da Faria Lima" e que falou ao seu ministro da Fazenda, Dario Durigan, que não vai mais "discutir déficit fiscal". Lula disse estar preocupado com a "seriedade fiscal do País", mas que também tem preocupação com a pobreza.

"A gente não pode ficar refém da Faria Lima. Esses caras começam a plantar em janeiro de cada ano, discutindo o ano inteiro déficit fiscal. Falei para o Dario (Durigan) que não vamos mais discutir déficit fiscal. Responsabilidade nós temos e já provamos. O que não podemos ter é a responsabilidade que eles querem que a gente tenha. Temos que ter a nossa", afirmou o presidente em entrevista ao canal ICL Notícias .

E acrescentou: "Estou muito preocupado com a seriedade fiscal desse País, mas estou muito preocupado com a pobreza do povo, com a educação, com a saúde."

Combustíveis

Questionado sobre a situação dos combustíveis no País, Lula reforçou as medidas adotadas pelo governo federal para conter a alta do preço do óleo diesel e, consequentemente, a elevação no preço de alimentos e outros produtos. Elogiou governadores por terem aceitado o plano de reduzir parte do ICMS a pedido do Palácio do Planalto.

"A Petrobras está em uma posição muito digna. Temos feito reuniões com a Petrobras. Tomamos a decisão, governadores participaram da decisão de abrir mão do ICMS. O governo federal está fazendo uma subvenção e vamos garantir o preço para as pessoas. Não tem sentido a gente pagar o preço da guerra do Irã", declarou o presidente da República.

Lula também defendeu a reestatização de refinarias, ao ser questionado pelos entrevistadores sobre o assunto. Mas disse que é preciso discutir o preço que isso terá para os cofres públicos. "Se depender de mim, sim (vamos reestatizar refinarias). Por que eu digo se depender de mim? Temos a refinaria da Bahia que foi privatizada para os Emirados Árabes, queremos comprar de volta. Obviamente que estamos discutindo o preço", afirmou.

Terras raras e minerais críticos

O presidente também falou sobre terras raras e minerais críticos. Disse que tornou esse um assunto de "segurança nacional" e que o conselho que tratará do assunto será vinculado à Presidência da República.

"Nós temos um conselho nacional de política mineral e terras raras. Nós estamos transformando isso em uma questão de segurança nacional. É uma questão do Estado. Vai ser um conselho ligado à Presidência da República, para que a gente não fique permitindo que sejam tiradas as coisas de nós como tiraram tantas outras coisas. Estamos levando muito a sério, porque temos oportunidade. Precisamos ter tecnologia e fazer parcerias. Quero fazer parceria com todo mundo, sem alijar ninguém, mas com todo processo aqui no Brasil", disse Lula.

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