Início Economia Lula pode ser mais radical na economia que no passado, diz chefe de pesquisas do Citi
Economia

Lula pode ser mais radical na economia que no passado, diz chefe de pesquisas do Citi

Envie
Envie

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - A volta de Luiz Inácio Lula da Silva ao comando do Brasil gera incerteza no mercado financeiro por trazer dúvidas sobre quais políticas econômicas serão adotadas, disse Nathan Sheets, economista-chefe global do Citi Research, departamento de pesquisas do mesmo grupo do Citibank.

"A eleição [no Brasil] é caracterizada por incertezas significativas, que provavelmente vão contribuir para a volatilidade. Há vários cenários diferentes, se você tiver Bolsonaro reeleito versus Lula eleito. E se for Lula, há uma boa quantidade de incerteza sobre que tipo de políticas [econômicas] ele irá perseguir", disse Sheets, durante um encontro virtual com jornalistas nesta sexta (28).

"Sua retórica pode fazer pensar que elas seriam mais radicais à esquerda do que em seu histórico. Quando ele esteve lá antes, foi mais moderado, e é uma questão aberta sobre qual Lula tomará posse. Estas são as incertezas e questões que os mercados estão lidando, conforme pensam sobre as implicações da eleição", prosseguiu.

Sheets, que fica baseado em Nova York, disse também que a economia brasileira deve ter um ano marcado por desafios, como o risco de estagflação, a combinação de inflação alta e crescimento econômico baixo ou nulo.

"A possível alta de juros do Fed [banco central dos EUA] provavelmente colocaria pressão na liquidez global, com implicações para a economia brasileira. E o Brasil provavelmente deve sentir algum vento contra vindo da nova realidade do crescimento chinês neste ano", apontou. A China é o maior comprador de exportações brasileiras, e uma queda na demanda por lá reduziria os ganhos de empresas do Brasil.

O economista ponderou, no entanto, que a economia brasileira tem grande capacidade para se recuperar desta fase ruim no médio e longo prazo. "Já vi ciclos em que o Brasil cresceu muito rapidamente."

Sheets, 57, foi subsecretário de assuntos internacionais no Departamento de Tesouro dos EUA, entre 2014 e 2017, no governo de Barack Obama. Ele atua no grupo Citi, uma das principais empresas financeiras dos EUA, desde outubro de 2021.

Lula, que ainda não confirmou sua candidatura à Presidência, não divulgou os detalhes de seu plano para a economia. Em entrevistas, o ex-presidente tem defendido que o Estado faça mais ações para estimular o desenvolvimento, o que pode gerar mais gastos públicos. E integrantes do PT, como a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, fizeram críticas recentes à reforma trabalhista de 2017 e ao teto de gastos públicos.

Siga-nos no

Google News