RIO - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou nesta segunda-feira o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e disse que ele deveria estar focado na Reforma da Previdência ao invés de tratar de questões políticas, o que gera insegurança para a articulação do governo com a base aliada para votar a reforma ainda neste ano.
Maia não gostou da entrevista que Meirelles concedeu à Folha de S. Paulo em que o ministro diz que "o PSDB está tendendo na direção de não apoiar o governo" e que isso teria consequência na disputa eleitoral de 2018. Ele voltou a dizer que tem pretensões eleitorais e que decidirá sobre uma candidatura à Presidência em março do ano que vem.
- Eu acho que foi uma entrevista num momento inadequado, acho que ele deveria focar na Reforma da Previdência, como a gente (no Congresso) está focando. A entrevista dele hoje deveria ser só sobre Previdência - criticou Maia.
Na entrevista, Meirelles disse que o PSDB apoia apenas pontualmente o governo e não "a política econômica" como um todo. As declarações do ministro podem causar mais problemas na relação entre os tucanos e o governo depois que o partido decidiu deixar os cargos do primeiro escalão e lançar a pré-candidatura do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, à Presidência.
- Acho que ele tratar de política nesse momento, sem ser um ator político natural, ele gera mais insegurança no processo para muitos deputados do que gera segurança - afirmou Maia a jornalistas, após participar de um seminário na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).
Maia disse que o cenário para aprovação da Reforma neste ano continua difícil, mas comemorou uma mudança de postura dos partidos da base aliada que estariam comprometidos com a articulação para a votação ainda este ano.
- Os presidentes dos partidos assumiram o compromisso de trabalhar essa semana. A gente continua longe do ponto de vista do número de votos. Antes a gente estava longe dos votos e sem organização e agora os partidos da base vão trabalhar - disse.
Segundo ele, há pelo menos três partidos que se comprometeram a fechar questão nas bancadas da Câmara, obrigando todos os deputados a votar a favor da reforma. Porém, ele não disse quais eram essas legendas.
Maia afirmou que até quinta-feira haverá um cenário claro sobre a possibilidade ou não de votar ainda neste ano a Reforma da Previdência na próxima semana. Se não for possível votar agora, ele disse que o governo deve tentar novamente no início do ano que vem.

