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Mais de um terço dos brasileiros prefere emprego com carteira assinada, mostra pesquisa da CNI

Estadão

Os brasileiros preferem vagas com carteira assinada, segundo a 67ª edição da pesquisa "Retratos da Sociedade Brasileira: visão da população sobre o mercado de trabalho", divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta sexta-feira, 10. Segundo o levantamento, mais de um terço (36,3%) das pessoas que estavam ocupadas e buscaram trabalho no mês anterior à pesquisa apontaram o emprego formal, regido pela CLT, como o tipo de oportunidade mais atrativa.

O trabalho autônomo foi apontado como o segundo caminho mais interessante pelos entrevistados (18,7%). A terceira opção mais atrativa foi o emprego informal (12,3%), seguida pelo trabalho autônomo por meio de plataformas digitais (10,3%), abertura do próprio negócio (9,3%) e do contrato como pessoa jurídica (6,6%).

"Apesar de novas modalidades de trabalho estarem crescendo, como aquelas vinculadas a plataformas digitais, o trabalhador ainda valoriza o acesso a direitos trabalhistas, estabilidade e proteção social, que continuam, portanto, sendo um diferencial relevante mesmo em um contexto de maior flexibilização das relações de trabalho", afirma Claudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI.

O levantamento também aponta que 20% dos entrevistados se frustraram, pois não encontraram oportunidades atrativas no período, indicando dificuldade em achar vagas alinhadas às próprias expectativas.

Realizada pela Nexus, a pesquisa entrevistou presencialmente 2.008 pessoas a partir de 16 anos, nos 26 estados e no Distrito Federal, entre os dias 10 e 15 de outubro de 2025.

Jovens preferem carteira assinada

A preferência pelo emprego formal foi maior entre os jovens e superou a média de 36,3%. Entre brasileiros de 25 a 34 anos que estavam ocupados e procuraram trabalho no mês anterior à pesquisa, essa preferência alcançou 41,4%. As vagas com carteira assinada também foram consideradas mais interessantes por 38,1% das pessoas que tinham entre 16 e 24 anos.

"O emprego formal traz mais segurança para os jovens, que procuram maior estabilidade no início da carreira profissional", acredita Claudia Perdigão.

A presença das plataformas digitais no imaginário dos trabalhadores também foi alvo do estudo elaborado pela CNI. Um em cada dez brasileiros que estava ocupado e procurou emprego no mês anterior à pesquisa classificou como atrativas as oportunidades de trabalho autônomo em plataformas digitais, como motorista ou entregador de empresas de aplicativo.

Para a maioria, no entanto, esse tipo de trabalho é visto apenas como estratégia emergencial, complementação de renda ou transição do que como projeto de carreira de longo prazo. Somente 30% dos que demonstraram interesse em trabalhar por meio de plataformas digitais veem nessa modalidade de emprego a principal fonte de sustento.

Satisfação com o emprego atual é alta

Segundo a pesquisa, 95% dos entrevistados, agrupando empregados, empregadores e autônomos, se declararam satisfeitos com o emprego atual, sendo 70% muito satisfeitos. Apenas 4,6% estão insatisfeitos, dos quais somente 1,6% estão muito insatisfeitos.

Esses números explicam, por exemplo, a baixa mobilidade no mercado de trabalho apontada pelo levantamento. Entre os trabalhadores ocupados, apenas um em cada cinco (20%) buscou ativamente uma nova colocação nos 30 dias que antecederam a pesquisa. Esse comportamento varia de acordo com a idade dos profissionais.

Os mais inquietos são os jovens de 16 a 24 anos: 35% deles procuraram outro emprego no período; porcentual que cai para 6% entre os trabalhadores com mais de 60 anos. "Essa diferença é explicada pela juventude ainda estar construindo a carreira, enquanto os mais velhos costumam priorizar segurança e previsibilidade", aponta Claudia Perdigão.

Entre as pessoas que trabalhavam, a pesquisa também captou que a proporção de pessoas com elevado tempo de permanência no trabalho é expressiva: 65,4% responderam que estavam no mesmo trabalho há mais de dois anos, sendo 43,7% há mais de cinco anos.

Para a CNI, esse fato pode ser explicado pelo aquecimento prolongado do mercado de trabalho, que levou a taxa de desocupação a registrar mínimas históricas em 2025 - no trimestre encerrado em dezembro de 2025, a taxa de desocupação foi de 5,1%. Nesse cenário, o rendimento do trabalho cresceu e incentivou a adoção de estratégias de retenção de funcionários e colaboradores externos.

O estudo mostra, ainda, que o tempo de permanência no emprego influencia a disposição do trabalhador na busca por novas oportunidades. Entre aqueles com menos de um ano na ocupação atual, 36,7% foram atrás de outra vaga, enquanto apenas 9% dos brasileiros com mais de cinco anos no mesmo trabalho buscaram uma nova colocação.

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