PORTO ALEGRE - Ao participar de evento com empresários gaúchos e lideranças políticas do Rio Grande do Sul, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que a nova proposta da reforma da Previdência deve garantir um “benefício fiscal substancial”, sem indicar qual seria o patamar de impacto para as contas públicas em relação ao projeto original. O ministro sustentou a reforma como medida para evitar que as despesas saia de 50% do orçamento para mais 70% nos próximos.
Meirelles voltou a refutar que o governo considere que “o substancial” seria um mínimo de 50% de resultado fiscal, com a reforma, em relação ao efeito se fosse chancelado o texto enviado ao Congresso Nacional.
— Alguns falaram que o governo aceita um mínimo de 50%, mas não disse substancialmente 50% — esclareceu Meirelles, que também tentou justificar porque não “crava”um percentual que seria aceitável. — Por que não cravamos 62%, 65% ou 67%? Porque a decisão final é do Congresso. Até porque se sair 62% e falarmos 65%, vão dizer que o governo perdeu, mas não perdeu — avisou.
Meirelles afirmou acreditar que a chance de aprovar a reforma “é elevada”, citando as reuniões com parlamentares, que se intensificaram nos últimos dias.
— Estamos mostrando empenho em trabalhar para aprovar — reforçou.
O ministro ponderou que ainda quer o texto original, mas que as negociações e propostas das lideranças busca o aval no Legislativo. A expectativa é que um substitutivo ao projeto seja apresentado até o fim da próxima semana, projetou o ministro.
Questionado sobre a preservação de privilégios na nova proposta, Meirelles reforçou que o substitutivo não compromete o combate a privilégios, como manter a condição do setor público.
— É questão simbólica o combate a privilégios, é bandeira forte da reforma — garantiu o ministro.
* Especial para O GLOBO

