SÃO PAULO - Com a redução da aversão ao risco no exterior, a Bolsa brasileira conseguiu se manter no patamar acima dos 71 mil pontos, o maior em mais de seis anos. Depois de iniciar o pregão com perdas, o Ibovespa, principal índice de ações da B3 (ex-BM&FBovespa), fechou com alta de 0,44%, aos 71.329 pontos. Já o dólar comercial terminou o pregão estável, a R$ 3,164.
Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença Corretora, afirmou que o Ibovespa foi para o terreno positivo após a recuperação das Bolsas americanas, após os investidores atribuindo, por enquanto, menor risco de uma disseminação dos eventos associados à Coreia do Norte.
— O mercado americano se recuperou e a nossa Bolsa acompanhou. Foi um dia que os investidores acompanharam mais o cenário externo que o interno, que está fraco de notícias — disse.
O momento de maior volatilidade nos negócios foi pela manhã, em que os investidores repercutiram o fato da Coreia do Norte ter lançado sobre o Japão um míssil, ontem à noite, que caiu no Pacífico. O governo japonês afirmou que acompanhou o míssil, que caiu no Pacífico, desde o seu lançamento, que foi considerado uma afronta ao país. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que "todas as opções estão na mesa" quanto a uma resposta do país esse lançamento. Sem saber as consequências desse ato, os investidores buscaram proteção. O “dollar index”, que mede o comportamento da divisa americana frente a uma cesta de dez moedas, subia 0,12% próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil.
Nos Estados Unidos, o Dow Jones fechou em alta de 0,26% e o S&P 500 ficou perto da estabilidade, com leve variação positiva de 0,08%. Já na Europa, não houve tempo para recuperação e o pregão foi de perdas. O DAX, de Frankfurt, registrou desvalorização de 1,46% e o CAC, da Bolsa de Paris, caiu 0,94%. O FTSE 100, de Londres, teve variação negativa de 0,87%.
Internamente, os investidores também repercutem o cenário de incerteza política, com os riscos de uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer e a votação de medidas importantes para o ajuste fiscal. No entanto, a avaliação de que será possível aprovar os destaques da medida provisória que cria a taxa de longo prazo (TLP), que será a nova taxa de referência das operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
— Perto do encerramento do pregão regular, o dólar comercial passou a perder valor, diante do sentimento de que o governo terá sucesso nestas votações — disse Guilherme França Esquelbek, analista da Correparti Corretora de Câmbio. Na máxima do pregão, a moeda chegou a ser negociada a R$ 3,177.
O desempenho dos bancos e da Embraer ajudou o Ibovespa a ficar acima dos 71 mil pontos. O índice fechou em seu maior patamar desde os 71.632 pontos registrados em 12 de janeiro de 2011.
Contribuíram para a alta o desempenho dos papéis do setor bancário, que possuem o maior peso na composição do índice, e a alta nos papéis da Embraer. No caso da fabricante de aeronaves, a valorização foi de 4,11%, a maior do pregão entre as ações do Ibovespa. Há uma expectativa de novos negócios em relação à visita de Temer à China. Além disso, a Nigéria já anunciou que tem interesse no modelo supertucano da fabricante brasileira.
No caso dos bancos, as preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco subiram respectivamente, 0,91% e 1,71%. Já as do Banco do Brasil caíram 0,66%. Também teve alta de 0,06% as preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Vale e de 0,23% nas ordinárias (ON, com direito a voto).
Entre as quedas, as PNs da Petrobras tiveram leve recuo de 0,14%, cotadas a R$ 13,85, e as ONs caíram 0,69%, a R$ 14,30. Os papéis da Eletrobras registraram queda relevante, depois dos fortes ganhos dos últimos pregões devido ao anúncio de venda das ações. As preferenciais recuaram 1,14% e as ordinárias, 2,67%. Os analistas da XP Investimentos lembraram que a empresa vai assinar no dia 1º de setembro um memorando de cooperação do setor nuclear com as autoridades chinesas. Apesar do acordo, a notícia tem na visão de analistas, impacto neutro sobre o potencial de valorização dos papéis.

