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‘Mercado aparentemente voltou a se acalmar’, diz Meirelles

BRASÍLIA — Depois de dois dias de estresse no mercado financeiro, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que não deve haver impactos relevantes para a economia brasileira. Segundo ele, os possíveis efeitos dependerão da evolução do mercado americano e da taxa de juros internacional.

— Agora, a princípio, o mercado aparentemente voltou a se acalmar. É uma volatilidade normal dos mercados americanos. E no momento não se configura nos Estados Unidos — disse o ministro. — Agora, existe uma volatilidade normal de bolsa de valores, subiu muito, está fazendo um ajuste, vamos ver onde para esse ajuste.

Meirelles diz que o governo não vê necessidade de alguma intervenção no mercado financeiro porque há liquidez. Ele citou especificamente os mercados de juros e câmbio. Disse que tudo funciona normalmente.

A turbulência movimentou os bastidores da equipe econômica. Durante o primeiro dia da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), os técnicos estavam cheios de dúvidas dos motivos e, principalmente dos impactos da queda das bolsas pelo mundo afora na economia brasileira. No entanto, a recuperação dos negócios à tarde melhoraram os ânimos.

Uma reunião, que não estava prevista na agenda oficial, foi marcada para o fim dia entre Meirelles e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. A assessoria da Fazenda chegou a informar que a reunião seria para “avaliar os mercados nacional e internacional”. A partir dai, passou a haver a especulação de alguma declaração para dar rumo ao mercado.

A maior expectativa era saber se poderia haver alguma sinalização diferente para o resultado do Copom, que será divulgado nesta quarta-feira. A previsão é que o BC anuncie a última queda do ciclo de corte de juros. Hoje, a taxa básica (Selic) está em 7% ao ano. A projeção dos analistas é que o BC levará os juros a 6,75% ao ano.

No entanto, a melhora sentida à tarde mudou a avaliação de isso fosse necessário. No fim da tarde, a assessoria da Fazenda afirmou que não se tratava de uma “reunião de emergência”, mas apenas o encontro semanal dos dois técnicos. Informou ainda que o encontro estava acertado desde segunda, mas não havia definição do horário.

Ao sair do encontro, Meirelles disse que só não almoçou com Ilan como faz normalmente porque tinha uma reunião com o presidente Michel Temer e que remarcou a reunião rotineira. Já nos bastidores, fontes ouvidas pelo GLOBO dizem que a preocupação diminuiu durante o dia.

— Acho que haverá correção logo ( nos preços das ações das empresas americanas). Só não sei se esse movimento de ontem foi isso. Acertar a hora dessa correção é difícil. Historicamente, esse nível de preço e lucro das ações não dura mais do que alguns meses — disse uma alta fonte da equipe econômica.

No momento, a avaliação é que foi apenas uma realização pontual das bolsas. A possibilidade de a movimentação global ter sido provocada por um erro de robôs que operam no mercado financeiro também tranquilizou a equipe.

— (A bolsa de valores) subiu bastante e está fazendo um processo de ajustes. É um fato estatístico. Não quer dizer que subiu para onde não devia. Até existem muitos analistas que justificam que os preços são justificáveis aos níveis atuais, por causa da evolução de expectativa de lucro, etc. O fato é que o mercado considerou que era necessário um ajuste e aparentemente o ajuste foi feito, vamos ver se continua ou não — resumiu o ministro que evitou fazer previsões sobre o mercado brasileiro.

Esse episódio, entretanto, deve servir para o Copom reforçar o alerta para a necessidade de reformas, principalmente, a da previdência Social. Desde que assumiu, Ilan alerta sobre a possibilidade de o tal “interregno benigno”, ou seja, a janela de bonança chegar ao fim. E só com perspectivas melhores para as contas públicas, o Brasil estaria preparado para enfrentar essas turbulências.

Sobre Previdência, ele comentou a proposta dos estados de criar um fundo de pensão separado e separar folha de pagamento de ativos e inativos. Disse que não analisou a proposta especificamente.

— Eu não sei e deveremos fechar aí até amanhã o texto final, que eu acredito que será muito próximo daquele texto atual _ falou o ministro.

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