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Mercosul e União Europeia não avançam em acordo de livre comércio

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BRASÍLIA E BUENOS AIRES -e (UE) não chegaram a um entendimento sobre os itens mais polêmicos da para um acordo de entre os dois blocos, que vem sendo discutido há quase 20 anos. Em reunião realizada nesta semana, em Bruxelas (Bélgica), os europeus evitaram acenar com propostas mais atraentes, por exemplo, para carne bovina, açúcar e etanol. Ao mesmo tempo, reforçaram as pressões para que as tarifas de importação de automóveis produzidos pelos países do Mercosul, hoje tributados em 35%, caiam em um prazo mais rápido do que os 15 anos propostos anteriormente na oferta sul-americana. Também não houve consenso até mesmo sobre quando será a próxima reunião.

A oferta europeia feita em janeiro, de uma cota entre 90 mil e 100 toneladas de carne bovina, continua a mesma, apesar do descontentamento do Mercosul. Houve, ainda, sinalizações de que o bloco europeu poderia abrir seu mercado de açúcar, com cota de 100 mil toneladas e uma alíquota de 93 euros por tonelada - valor considerado proibitivo pelos exportadores brasileiros. Também não houve avanço para o etanol, que continua com as portas da UE praticamente fechadas.

O encerramento das negociações do acordo entre Mercosul e União Européia (UE) é um dos principais objetivos traçados pelo governo do presidente argentino, Mauricio Macri, para este ano. A Casa Rosada considera essencial selar o entendimento como sinal para investidores estrangeiros, que ainda não estão injetando dinheiro na economia argentina como esperava Macri quando foi eleito, em dezembro de 2015. Existe até um cero desespero entre os argentinos e a sensação entre negociadores de que o chefe de Estado quer fechar o acordo a qualquer preço.

— Depois de anos de uma economia mais fechada, nos governos kirchneristas, Macri chegou querendo abrir tudo e rápido. Para você ter uma ideia, a Argentina começou uma negociação com o México dizendo que aceitava liberar as importações de tequila, tal o desespero do governo — comentou uma fonte que participou de várias negociações comerciais da Argentina nos últimos dois anos.

Com a UE, o governo argentino tem feito menos exigências do que o brasileiro. Por um lado por sua estrutura industrial diferente, mas, também, pela necessidade de Macri de terminar o ano podendo apresentar ao mundo um entendimento com a UE.

— A estrutura da indústria argentina é bem mais simples do que a brasileira. Por isso temos mais cuidado ao negociar. Mas, no fim, os quatro países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) sempre falam a mesma língua — disse uma fonte do governo brasileiro.

A realidade é que, longe do que anunciaram autoridades dos dois países durante a reunião anual da Organização Mundial de Comércio (OMC), em dezembro, na capital argentina, o esperado acordo político, que seria uma primeira vitória, antes do anúncio do entendimento completo, corre sério risco de não sair em 2018.

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