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Nova regra fiscal encoraja investimento no Brasil, diz diretor do Banco Mundial

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WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O comprometimento do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com um novo arcabouço fiscal que reduzirá gastos é "muito encorajador" para investimentos, avalia o diretor do Banco Mundial para o Brasil, Johannes Zutt, mas no longo prazo ainda será preciso aprofundar reformas estruturais, na opinião dele.

O Banco Mundial deve oferecer ao governo brasileiro cerca de US$ 2 bilhões em empréstimos no próximo ano fiscal, que começa em 1º de julho.

O valor ainda pode mudar a depender de negociações com os governos e Congresso, mas, para se ter uma ideia, no ano fiscal atual, de julho do ano passado a junho próximo, o valor de investimento do banco em projetos no Brasil é de US$ 749,3 milhões.

No ano fiscal anterior de meados de 2021 a meados de 2022, o investimento no país foi de US$ 985,41 milhões. Segundo o banco, a instituição tem US$ 3,6 bilhões empenhados em investimentos hoje no país.

"Estamos muito encorajados pelo fato de que o governo e o ministro Fernando Haddad focaram desde o começo em articular um arcabouço fiscal realista e no comprometimento com a reforma tributária, para garantir que as receitas e as despesas sejam propriamente alinhadas e a balança primária se recupere", afirmou Zutt em conversa com jornalistas nesta sexta (14) na sede do Fundo Monetário Internacional, em Washington.

"O mais importante é que o arcabouço fiscal tem transparência, estabelece uma trajetória realista e crível para um gerenciamento fiscal apropriado no curto e médio prazo e tem parâmetros muito claros que permitem mudanças em períodos de choque", diz ele.

Zutt faz a ressalva, porém, que o arcabouço sozinho "não garante que o Brasil terá um gerenciamento macroeconômico adequado no médio para o longo prazo", diz, "porque é preciso fazer reformas aprofundadas para garantir que o dinheiro seja gasto nos locais certos e manter um crescimento econômico continuado que permita gastar no social como o governo quer".

Para isso, defendeu, é preciso aumentar a eficiência nos gastos com o setor público, previdência e programas de seguridade social, além de rever os "muitos projetos que começam, mas não são concluídos".

O Brasil também deve trabalhar para abrir mais sua economia, ainda muito fechada, na avaliação dele, e rever barreiras comerciais. Enquanto a participação do comércio exterior no PIB do país gira em torno de 40%, em países de nível de renda similar chega a 60%, segundo ele. "Como país de renda média, o Brasil pode aprender muito copiando tecnologias e técnicas de gerenciamento de países de alta renda", afirma ele.

No cálculo do Banco Mundial, o país gasta entre 1,6% e 1,7% de seu PIB com infraestrutura, mas, só para manter o que já existe, deveria gastar cerca de 3%, diz ele. "Só isso mostra que a infraestrutura do Brasil está se deteriorando, porque não gasta o suficiente para manter o que já tem e certamente não gasta mais para expandi-la."

Zutt afirmou que o ambiente de negócios no Brasil sofre efeito da incerteza global e há um desafio de conseguir recursos no setor privado em todo o mundo. Para ele, as altas taxas de juros dificultam o investimento, mas são necessárias para controlar a inflação, "principalmente para os pobres que não conseguem proteger seus bens financeiros da erosão da inflação".

Um dos focos do Banco Mundial é acelerar o crescimento do país focando em produtividade, afirmou ele, enquanto a instituição prevê que o PIB suba apenas 0,8% neste ano. "A média de países de renda média foi de 4% ao ano [na última década]. [O Brasil] tem tido um desempenho lento de crescimento por um longo período de tempo. Isso ocorre em parte porque a produtividade permaneceu muito abaixo de onde deveria estar", diz.

Ele também defendeu que é preciso investir na inclusão de pessoas negras, indígenas, membros de comunidades tradicionais e mulheres. "Eles são 75% da população. Se vocês não faz tudo o que pode para ajudá-los a contribuir [com a economia], você novamente vai ter um nível muito abaixo de crescimento do que o Brasil poderia ter."

O IFC (International Finance Corporation), ligado ao Banco Mundial, assinou contrato nesta semana para assessorar o Governo de São Paulo no processo de privatização da Sabesp, companhia paulista de saneamento. Nesta sexta, Zutt falou, embora não haja nenhuma decisão sobre como esse processo deve ocorrer, o banco está "feliz em ajudar".

"A Sabesp é uma empresa bem administrada, que tem um histórico muito bom de responsabilidade econômico-financeira. Buscar opções para aumentar o financiamento privado para permitir a expansão de seus negócios e prestação de serviços faz muito sentido", defendeu.

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