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Perda do Itaú no Chile não deve chegar ao resultado no Brasil

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A perda contábil de US$ 930 milhões (R$ 4,99 bilhões) registrada pelo Itaú Corpbanca, no Chile, nesta quinta-feira (9) não deverá ter reflexo sobre o resultado financeiro do banco no Brasil. Segundo o vice-presidente financeiro do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, o número chega diluído no balanço brasileiro, resultado da participação que o conglomerado tem na unidade chilena (38%) e também das diferenças de normas contábeis entre os dois países. Ele acrescenta ainda que a medida já estava precificada pelo investidor chileno. As ações do Itaú Unibanco terminaram esta sexta-feira (10) em alta de 0,93%, a R$ 27,20. O Ibovespa subiu 0,9% e fechou acima dos 100 mil pontos. O Itaú Unibanco publicará os resultados do segundo trimestre no dia 3 de agosto. No Chile, os bancos não amortizam (descontam) em seus balanços o ágio de uma aquisição de outra instituição financeira. A norma manda que, semestralmente, o banco faça um processo de reavaliação do ativo: se ele tiver se valorizado, o valor é mantido. Em caso de desvalorização, é feita a baixa contábil (impairment). No Brasil, o ágio é amortizado desde a compra da instituição. No caso do Corpbanca, a fusão ocorreu em 2016 e o prazo de amortização é de dez anos. Portanto, o valor que constará no resultado contábil do Itaú Unibanco será ponderado também pelo que falta ser amortizado. Segundo Maluhy, a piora no cenário econômico do Chile e a crise causada pela pandemia do novo coronavírus refletem essa redução do valor dos ativos. Ele diz que o investidor local já havia descontado essa baixa do valor de mercado da instituição. Nos últimos trimestres, o braço chileno do Itaú vinha sofrendo com os protestos no país. Para Maluhy, o momento era o adequado para fazer o ajuste porque o Itaú Corpbanca já vinha elevando suas provisões contra calotes em meio à piora do cenário econômico. Isso tinha o potencial de reduzir o lucro da instituição, e a expectativa era que a distribuição de dividendos referentes a 2020 fosse limitada ao mínimo regulatório exigido pelo Chile (que é de 30%). Apesar de ser um ajuste isolado, haverá impacto no lucro do banco chileno neste ano, afirma Maluhy. "O impacto é pequeno porque já seria baixo. Em 2021, volta para normalidade", afirma. O executivo enfatiza que a perda contábil não reflete o resultado operacional e nem a disponibilidade de caixa do banco no Chile e nem no Brasil. Pelas regras de requerimento de capital, o ágio precisa ser desconsiderado. "A baixa fica circunscrita à operação chilena, por consolidação o impacto é irrelevante", completa. No primeiro trimestre, o Itaú Unibanco lucrou R$ 3,9 bilhões, reflexo do aumento de quase 150% nas reservas para cobrir eventuais calotes decorrentes da crise do novo coronavírus.

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