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Pérsio Arida critica 'Plano Marshall' do governo para reativar economia após crise do coronavírus

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O economista Pérsio Arida, ex-presidente do Banco Central, classificou como equivocada a proposta do governo federal de reativar a economia no período pós-crise do coronavírus a partir de um grande plano de investimentos públicos. Para o economista, a iniciativa vai agravar o problema das contas públicas. Reportagem da Folha mostrou que o presidente Jair Bolsonaro delegou ao ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto, a condução de um plano de retomada da economia chamado de Pró-Brasil, sustentado na reativação de obras públicas com recursos do Tesouro. Inspirado no "Plano Marshall", em referência ao programa dos EUA de recuperação de países aliados após da Segunda Guerra Mundial, o programa deve durar dez anos. A proposta enfrenta resistência do Ministério da Economia, sob comando de Paulo Guedes e foi criticada abertamente nesta quarta-feira (22) pelo secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do ministério, Salim Mattar. "Há ideias totalmente equivocadas, como a de setores do governo Bolsonaro que querem fazer um Plano Marshall para reavivar a economia na base do investimento público, o que agravaria o problema da dívida pública mais à frente", afirmou Pérsio nesta quarta (22) durante a 6ª edição da Brazil Conference at Harvard & MIT, realizada pela internet. O economista afirmou que a dívida pública deve subir de cerca de 75% do PIB (Produto Interno Bruto) para perto de 90% e que é necessário estabilizar esse endividamento por meio de mais crescimento econômico, o que depende de reformas que possam aumentar a produtividade, nas áreas tributária, administrativa e de abertura comercial, por exemplo. Para ele, um aumento da dívida para 100% não seria um problema, caso haja a percepção de que será possível estabilizar o indicador. Afirmou também que imaginar que tudo voltará ao normal em poucos meses é uma ideia inteiramente equivocada e que é necessário se preparar para uma longa travessia. O economista Eduardo Giannetti, que também participou do debate, afirmou que o relaxamento das restrições de circulação no país deve se basear em critérios de saúde pública, valorizando a vida humana acima de qualquer outro parâmetro. "Enquanto não tivermos esses condicionantes bem encaminhados, folga no sistema de saúde e um conhecimento de que o pior da curva passou, acho que é absolutamente prematuro, uma aventura temerária, pensarmos em relaxar, com mais ou menos agressividade, as restrições de atividades", afirmou. "O que vai determinar a saída, para passarmos da respiração por aparelhos para convalescença [da economia], é fundamentalmente a dinâmica da própria pandemia. A intensidade dela, que ainda é desconhecida, a duração e a pesquisa, prevenção e cura", afirmou Giannetti. O ministro da Saúde, Nelson Teich, disse nesta quarta-feira que é impossível que o país sobreviva a mais de um ano parado e defendeu que haja um plano de saída do isolamento social. Em São Paulo, no mesmo dia, o governador João Doria (PSDB) anunciou os primeiros detalhes do plano de saída da quarentena do estado.

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