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Personalização na Fiesp tem que acabar, afirma candidato e atual vice

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em junho, José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), escreveu um artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo afirmando que "a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp) precisam mudar". Agora, após o anúncio de que Paulo Skaf, presidente das instituições desde 2004, não iria tentar se reeleger novamente, Roriz resolveu lançar sua candidatura. * PERGUNTA - O senhor é o vice do Skaf... JOSÉ RICARDO RORIZ COELHO - Do Skaf não, sou da Fiesp. Foi uma chapa única na última eleição. Sou presidente de um sindicado dos mais importantes e fui eleito vice-presidente da federação. Nos afastamos, pelo que eu tenho conhecimento, porque ele nunca me disse isso, por termos visões diferentes dos rumos que as instituições deveriam tomar. P - Que tipo de visão diferente? JR- A Fiesp tem de se caracterizar para ser de excelência em termos de gestão, para ter um compliance que seja exemplo para toda a indústria de São Paulo e do Brasil. Deve ter reuniões de qualidade. Atrair empresários. Não só os da Paulista mas os de pequenas fábricas na periferia e no interior. Existem 130 mil empresas industriais no estado, a Fiesp não pode ser um centro de indústria para poucos empresários. Um das primeiras ações que eu faria é determinar que o presidente fique no máximo uma reeleição, com mandatos mais curtos. Até para ter uma alternância e para que os diversos setores que compõe a indústria possam ter a experiência de ter um representante na presidência. P - Essas visões diferentes ficaram mais evidentes quando o senhor assumiu a presidência de maio a outubro de 2018, durante a campanha de Skaf ao governo de São Paulo? JR - Acho que sim. Muitas vezes, quando tem uma pessoa que fica muito tempo, pode misturar agenda pessoal com a da indústria. E eu acho que foi isso que aconteceu. Mas acho que cumpri o meu papel, embora o tempo na presidência tenha sido curto e eu não pudesse contar com toda a equipe porque alguns saíram para a campanha do Paulo, mas, independentemente disso, consegui tirar o foco das entidades da eleição. E hoje me sinto muito mais bem preparado. P - Mas vocês chegaram a romper? JR - Não rompi com ninguém. Tenho um ótimo relacionamento com todos da Fiesp e do Ciesp. Mas, quando o Paulo voltou da eleição, ele foi esvaziando meu papel dentro das casas, e, com o tempo, apesar de ser segundo vice-presidente, eu praticamente não fui convidado a participar dos grandes debates da casa. P - O candidato do Skaf é Josué Gomes da Silva [filho do José Alencar]? JR - Tive notícia de que ele vai lançar um candidato, como se ele não precisasse consultar os empresários de São Paulo. Porque não é o candidato do presidente da Fiesp, é o candidato dos empresários de São Paulo. O ideal é que a pessoa participe da agenda de São Paulo, que tenha uma presença marcante, que conheça interior, quais são as demandas dos empresários. Eu só quero defender que o processo eleitoral seja amplo e transparente. Com regras claras e acessíveis. Isso não pode ser decidido usando as estruturas das casas em benefício de um candidato. O presidente não pode usar da estrutura das casas para impor um ou outro nome. P - Como assim? JR - Não pode fazer almoços, reuniões, usar o prédio e a infraestrutura para defender o candidato dele. P - Caso seja eleito, o senhor pretende fazer uma investigação na federação? JR - O objetivo não é esse. Meu objetivo é trazer quem está fora para dentro, quero colocar foco. Dar oportunidade para que diversos segmentos e tamanhos de empresas possam participar das decisões. O ciclo dele [Skaf] já passou. Não vou olhar para trás, quero olhar para a frente. No ciclo dele, algumas coisas boas ocorreram, mas agora existe a necessidade de mudança. Pretendo diminuir para três anos o prazo para a presidência [hoje, são quatro], com direito a uma reeleição. Não pode personalizar. Sinto o setor do agro, por exemplo, extremamente organizado. Não tem personalização, nem vaidade. P - A indústria ganhou protagonismo nacional neste ano com o grupo conhecido por Coalizão, do qual você faz parte. A Fiesp está enfraquecida? JR - Falta unidade na indústria para que tenham propostas que sejam discutidas no âmbito nacional. Falta uma convergência que deveria existir entre as federações. O foco é o desafio para lidar com tecnologias que têm que ser incorporadas, como 5G, por exemplo. Para ter uma indústria competitiva e moderna. José Ricardo Roriz Coelho, 62 2º vice-presidente da Fiesp e vice-presidente do Ciesp. É presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico) e do Sindiplast (Sindicato da Indústria do Plástico). Foi diretor-presidente da Suzano Petroquímica, presidente da Polibras e da Vitopel, e fez parte do management team da Basel, empresa formada com a fusão dos ativos da área petroquímica da Basf e da Shell.

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