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Presidente do Itaú Unibanco diz que maior demanda por crédito deve segurar redução de juros para clientes

SÃO PAULO - O presidente do Itaú Unibanco, Cândido Bracher, acredita que a maior demanda por crédito no decorrer do ano irá impedir um recuo maior dos spreads (diferença entre a taxa de captação dos bancos e o juro efetivamente cobrado dos clientes). A estimativa é que o saldo total dos empréstimos apresenta uma evolução entre 4% e 7% em 2018 — no ano passado, houve recuo de 0,8% no tamanho da carteira de crédito.

— A demanda maior pela atividade de crédito irá gerar valor e segurar os spreads, apesar dos juros mais baixos — disse, durante teleconferência de resultados com analistas.

A maior instituição financeira privada do país divulgou na noite de segunda feira um lucro líquido recorrente (que exclui itens extraordinários) de R$ 24,879 bilhões em 2017, um crescimento de 12,3% em relação a igual período do ano anterior. Ao considerar o resultado contábil, o lucro foi de R$ 23,965 bilhões, expansão de 10,7%.

Em dezembro, a carteira total de crédito chegou a R$ 575,2 bilhões, um recuo de 0,8% em 12 meses. No entanto, na comparação com o final do terceiro trimestre, foi registrado um crescimento de 3,2%, puxado principalmente pelas linhas destinadas a pessoas físicas, como cartão de crédito e financiamento de veículos e pequenas e médias empresas. Bracher citou a melhora no ambiente macroeconômico (inflação sob controle, melhora gradual da atividade) como um dos fatores para a expansão dos últimos meses.

Entre as linhas de crédito que devem continuar a apresentar crescimento, o executivo destacou a de financiamento de veículos, que terminou o ano passado com um saldo de R$ 14,1 bilhões. Embora o volume represente uma queda de 8,4% no ano, foi registrada uma elevação de 1,4% no trimestre.

— Foi a primeira alta desde dezembro de 2011. Vemos que deve crescer de forma significativa essa linha, mas não atingindo os volumes que teve no passado — avaliou.

Bracher admitiu ainda que a difícil situação fiscal de alguns estados fez o banco colocar o freio nas operações de crédito consignado (desconto em folha). Essa carteira soma R$ 44,2 bilhões, e caiu 1% no ano e 0,8% no trimestre.

— A crise fiscal nos levou a ser mais cautelosos na expansão dessa carteira. Mas nos últimos meses já temos visto avanço em outros segmentos, como aposentados do INSS e corporativo, então esperamos boas perspectivas para essa linha em 2018 — disse.

Já a projeção para a margem financeira com clientes está entre uma queda de 0,5% e uma alta de 3%. Na avaliação de Bracher, esse baixo crescimento da margem se deve aos efeitos da redução da Selic. No entanto, podem ser compensados por maiores volumes de crédito.

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