O cálculo considera a fabricação de carros de passeio, comerciais leves, ônibus e caminhões. Em relação a dezembro, a produção cresceu 12,2%.
A entidade avalia os resultados como normais devido ao período de férias coletivas nas fábricas e espera retomada nos próximos meses.
Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, repetiu o discurso da Fenabrave (que representa os distribuidores) e atribuiu parte da queda de 3,2% nas vendas à mudança nas placas de veículos novos em São Paulo, que passou a adotar o padrão Mercosul.
O executivo afirmou que a paralisação de fábricas de componentes na China por causa do coronavírus ainda não afeta a produção brasileira de automóveis. Segundo Moraes, as empresas estão acompanhando a situação.
De acordo com o presidente da Anfavea, o problema é monitorado 24 h por dia em um trabalho que não inclui apenas montadoras, mas também fornecedores nacionais que utilizam componentes chineses para montar outras peças.
Moraes disse ainda que, por causa da distância e das consequentes complicações logísticas, as fabricantes têm estoques maiores das peças que são trazidas da China, suficientes para cobrir de três a quatro meses de produção.
Entretanto, há dificuldade em monitorar toda a cadeia de suprimentos. Há fornecedores instalados em outros países que utilizam componentes chineses para montar outros equipamentos.
Se um item montado na Alemanha e exportado para o Brasil tiver uma parte originada de áreas afetadas pelo coronavírus, a produção poder ser interrompida.
Segundo o jornal Financial Times, executivos de várias montadoras calculam que fábricas na Europa e nos EUA podem interromper a produção dentro de algumas semanas devido à falta de componentes chineses.
No início desta semana, a Hyundai fechou suas unidades fabris na Coreia do Sul por não ter algumas peças importadas da China em estoque.
O grupo FCA Fiat Chrysler também emitiu alerta sobre a iminente falta de componentes em suas linhas de produção, o que poderia parar uma de suas fábricas europeias na próxima semana.
A empresa afirma ter quatro fornecedores com problemas de produção na China por causa do coronavírus.
EXPORTAÇÕES
Em janeiro, as exportações sofreram mais um baque e tiveram redução de 20% na comparação com o primeiro mês de 2019, com menor número de envios para o México e para o Chile, além da crise na Argentina.
Estou muito preocupado, o fluxo caiu. É preciso ter um cuidado maior com os produtos industrializados exportados, que também geram empregos de maior qualidade, disse Moraes.
A Anfavea prevê queda de 11% nas exportações em 2020.
Em 2018, 70% das exportações de veículos nacionais foram para a Argentina. Em 2019, a participação do país vizinho foi reduzida para 19%.
Com o impacto da queda nas exportações e da crise que atingiu o país nos últimos anos, o Brasil perdeu uma posição no ranking de maiores produtores de veículos do mundo.
O país fechou 2019 na oitava posição. No início da década, parecia que iria se estabilizar na sétima colocação.
O dado já foi pior: em 2015 e 2016, o Brasil esteve em nono lugar.
O resultado é visto na mudança do fluxo de capital. Entre 2010 e 2019, as matrizes enviaram US$ 29,2 bilhões para o mercado nacional, enquanto cerca de US$ 18 bilhões de lucros e dividendos foram remetidos ao exterior no mesmo período.
