BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Os produtores de soja argentinos anunciaram uma greve de quatro dias, a partir da próxima segunda-feira (9), devido à decisão oficializada nesta quinta (5) pelo governo, de aumentar o imposto às exportações de soja, de 30% para 33%. A gestão de Alberto Fernández já havia aumentado as tarifas do produto em dezembro, de 24,5% para 30%. A Confederação Rural Argentina disse que não haverá comercialização da soja durante os quatro dias de greve. Informou também que "se as medidas tomadas são empurradas por um espírito de arrecadação, o governo deve ter em conta que o resultado será zero. Se forem empurradas por um espírito ideológico, então... (sic) nos veremos nas estradas". Em tom de ameaça, o documento lembrou o forte embate do governo com o campo em 2008, quando a então presidente Cristina Kirchner também aumentou os impostos de importação da soja e instalou-se um clima de conflito que atravessou sua gestão. O texto ainda diz: "passa o tempo e a resposta dos governantes continua sendo a mesma diante de sua incapacidade de solucionar os problemas estruturais do país." Na região de Córdoba, produtores locais realizaram um "tratoraço", uma manifestação com tratores. A greve da semana que vem reunirá CRA (Confederações Rurais Argentinas), Coniagro, Federação Agrária Argentina e a Sociedade Rural Argentina. Fernández demonstrou incômodo com a decisão. "Já havíamos negociado, o caso é que eles querem ganhar sempre", disse o presidente. "Ouvimos suas preocupações e cumprimos com a lei. Os que não querem cumprir agora são eles."