SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A manhã de quinta-feira (7) foi de "trator na rua" em diversas cidades do interior de São Paulo. Produtores rurais protestaram contra lei estadual que autorizou o governo a reduzir benefícios fiscais de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços). Na noite de quarta-feira, o governador João Doria (PSDB) anunciou o cancelamento das mudanças para alguns produtos, como medicamentos genéricos. Mesmo assim, as entidades do agronegócio optaram por manter a manifestação. A avaliação do presidente da Ocesp (organização das cooperativas), Edivaldo Del Grande, é a de que os produtores ainda precisam ver a publicação da medida que suspende a revisão dos benefícios fiscais para entender exatamente quais produtos vão continuar a ter isenção no imposto estadual. Inicialmente, sindicatos, cooperativas e associações de 135 cidades tinham confirmado participação na manifestação, mas as entidades acreditam que o número tenha crescido e chegue a 200 municípios. Pela manhã, vídeos de protestos em Araraquara, Miguelópolis, São Miguel Arcanjo, Monte Aprazível, Brotas, Tatuí, Piracicaba, Itápolis, Atibaia, Limeira e Palmital já circulavam em grupos de produtores rurais. Os tratores traziam adesivos e faixas de repúdio ao aumento no imposto. Em Holambra, principal polo de produção de flores ornamentais do Brasil, cerca de cem tratores foram levados à praça do Moinho dos Povos Unidos, monumento na região central da cidade. Um pouco antes das 8h, os produtores começaram a chegar ao local. De lá, percorreram ruas da cidade e trechos da rodovia de acesso. Por volta das 10h, os veículos começaram a retornar às propriedades. A Estação da Paulista foi o ponto de encontro em Piracicaba. Segundo o presidente da Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo) no município, Arnaldo Bortoletto, a manifestação teve apoio da associação comercial e outros sindicatos. "A adesão foi melhor que imaginávamos. Quem não tinha trator, veio de carro, de camionete. Descemos a rua principal do comércio e tivemos muito apoio. A população aplaudindo, aderindo ao manifesto. Está claro para todos que o ICMS não ia prejudicar somente o produtor", diz Bortoletto. O presidente da Coplacana em Piracicaba diz que o anúncio feito pelo governador foi insuficiente para desmobilizar os produtores rurais. "Ele tentou dispersar o movimento, mas nós ainda não sabemos como vai ser. Queremos que ele revogue por completo a mudança no imposto", afirma. A Faesp (Federação da Agricultura e Pecuária) deve divulgar um balanço da manifestação no início da tarde. Na quarta, após a decisão do governo, a entidade disse que manteria o tratoraço pois entendia que ainda haveria aumento de imposto para energia elétrica, leite pasteurizado e hortifrutigranjeiros. Procurado nesta quinta, o governo do estado ainda não respondeu quanto ao detalhamento da medida. Em nota, afirmou que "o governador João Doria determinou a suspensão das mudanças no ICMS para alimentos e medicamentos genéricos." A gestão João Doria defende que o ajuste fiscal não resultou no aumento de impostos, mas na revisão de benefícios fiscais.