Início Economia Renan Filho diz que Lula usará Exército para duplicar 'Rodovia da Morte' se novo leilão fracassar
Economia

Renan Filho diz que Lula usará Exército para duplicar 'Rodovia da Morte' se novo leilão fracassar

Envie
Envie

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), afirmou nesta quinta (8) em Belo Horizonte (MG) que o governo federal vai usar o Exército para fazer a duplicação do trecho da BR-381 entre a capital mineira e Governador Valadares, na chamada "Rodovia da Morte", caso o próximo leilão da pista fracasse.

Segundo o ministro, o novo edital para o leilão ficará pronto em abril. Essa será a quarta tentativa de realizar a concessão do trecho. Obras caras e desapropriações, sobretudo na região de Belo Horizonte, afugentam investidores.

O presidente Lula e ministros de estado estiveram nesta quinta em Belo Horizonte para anúncio de investimentos no estado. O uso do Exército, segundo Renan Filho, foi mencionado pelo próprio presidente Lula. "É um caminho ou outro", afirmou o auxiliar o ministro.

Para tentar resolver o problema, o governo anunciou que a parte mais complicada do projeto, aquela com desapropriações e custo maior, será realizada pelo governo. Esse trecho da rodovia, de aproximadamente 50 quilômetros, fica entre Belo Horizonte e Caeté.

A maior parte das desapropriações ficam dentro do município de Belo Horizonte. Aproximadamente 2.000 famílias terão que ser realocadas. Os cálculos iniciais do governo apontam para investimento de R$ 1 bilhão, segundo o ministro.

No trecho sob responsabilidade do governo não haverá praça de pedágio, disse o ministro. Ainda não está definido, porém, se a conservação dessa parte, depois de concluída a concessão até Valadares, ficará sob responsabilidade da União ou será entregue à concessionária que administrará toda a rodovia.

O modelo híbrido de concessão proposto pelo governo já era discutido na gestão Lula e ganhou força após o fracasso da última tentativa de leilão da rodovia. Marcado para 24 de novembro do ano passado, ele acabou não sendo realizado por não ter havido interessados na concessão.

A "Rodovia da Morte", que ganhou o apelido pelo alto número de acidentes, é a via mais utilizada no trajeto entre Minas e o Espírito Santo, além de fazer a ligação com a região leste do estado .

Os problemas na via são antigos. A BR-381 começou a ser construída em 1952. Em 1998, durante a gestão de Eduardo Azeredo (PSDB), o governo de Minas assumiu a responsabilidade de realizar obras na rodovia em acordo com o governo federal. A manutenção, porém, não foi feita. No ano seguinte, já sob a administração de Itamar Franco, à época no PMDB, o acordo foi desfeito.

Em 2009, as obras foram colocadas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), já no segundo mandato de Lula. As primeiras obras de maior porte começaram a ser realizadas em 2014, durante o governo Dilma Rousseff (PT).

Há trechos duplicados, mas as obras não foram concluídas, em grande parte, em trechos onde as intervenções custariam mais.

Em julho do ano passado, o TCU (Tribunal de Contas da União) autorizou a desestatização do trecho, o que possibilitou o agendamento do leilão fracassado em novembro de 2023.

O relatório do tribunal prevendo a concessão já citava obras de maior complexidade e desapropriações.

"Os principais desafios são o gerenciamento dos riscos geológicos, realizar a desocupação e a realocação de pessoas da faixa de domínio da Região Metropolitana de Belo Horizonte e a execução das obras de capacidade e melhorias em relevo montanhoso", apontou o documento.

Siga-nos no

Google News