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'Se tiver ajuste na Selic, ciclo será gradual', diz Campos Neto

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta sexta-feira (30) que, se e quando houver ajuste no ciclo de juros pelo Copom (Comitê de Política Monetária), que está estagnado em 10,5% atualmente, esse movimento será gradual.

Durante o evento Expert XP 2024, Campos Neto também afirmou considerar que a resposta do mercado às taxas de juros futuros nos contratos que vencem no curto prazo não correspondem à mensagem transmitida na ata da última reunião do Copom.

Na ocasião, ao justificar a manutenção da taxa básica Selic, o colegiado elevou o tom e disse não hesitaria em aumentar os juros se achar que é necessário.

"O prêmio de risco na parte curta da curva de juros não é compatível com a mensagem foi feita na ata", disse o presidente do BC. "Se, e quando houver um ciclo de ajuste de juros, esse ciclo será gradual".

Campos Neto voltou a dizer que a autarquia fará o que for preciso para levar a inflação para a meta, destacando mais uma vez que as expectativas dos agentes financeiros para os preços no país estão desancoradas, ou seja, mais longe da meta estabelecida, de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

O presidente do BC comentou ainda os dados de desemprego divulgados nesta sexta. Em mais um sinal de aquecimento do mercado de trabalho, a taxa de desemprego do Brasil recuou a 6,8% no trimestre encerrado em julho, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo Campos Neto, a taxa atual é historicamente baixa para o Brasil e o Banco Central está de olho nos efeitos desse mercado de trabalho aquecido sobre o consumo e, consequentemente, para a inflação de serviços.

O patamar atual da taxa de desemprego é a menor para esse período na série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), iniciada em 2012.

Campos Neto também voltou a dizer que o BC depende desses dados para as próximas decisões de juros. Por isso, segundo ele, a autoridade monetária prefere ter mais flexibilidade e não trazer nenhum guidance nas comunicações, ou seja, indicações de como o Copom procederá nas próximas decisões de juros.

Sobre o leilão de dólar à vista realizado nesta sexta, o presidente do BC disse que a autoridade monetária poderá voltar a atuar nesse sentido se considerar necessário.

A medida foi segunda intervenção que a autarquia fez no câmbio durante o terceiro mandado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a primeira no mercado à vista.

A mais recente operação nesses termos ocorreu em dezembro de 2021, no valor total de US$ 500 milhões. Já a última venda de dólar à vista aconteceu em abril de 2022, com valor de US$ 571 milhões.

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