Início Economia Servidor pode ficar sem salário se PEC dos precatórios não passar, diz Guedes
Economia

Servidor pode ficar sem salário se PEC dos precatórios não passar, diz Guedes

Envie
Envie

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro Paulo Guedes (Economia) disse nesta quinta-feira (19) que não haverá recursos suficientes para pagar os salários de servidores caso a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para parcelar precatórios não seja aprovada pelo Congresso.

Guedes e a equipe da pasta têm elevado a pressão nos discursos e nas conversas com os parlamentares sobre os efeitos previstos para o Orçamento do próximo ano se o parcelamento das dívidas reconhecidas pela Justiça não for autorizado. Nesta quarta (18), o secretário de Orçamento Federal do Ministério da Economia, Ariosto Culau, disse que o plano de imunização contra a Covid-19 pode ficar comprometido.

A declaração do ministro ocorreu durante audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Ainda de acordo com ele, a medida não trará consequências jurídicas, pois o STF (Supremo Tribunal Federal) já autorizou o parcelamento dos precatórios de estados e municípios.

“Nós oferecemos essa alternativa. Se não passar, não tem problema, nós vamos mandar uma PEC com R$ 90 bilhões para os precatórios e faltando dinheiro para tudo mais, inclusive para salários nossos. Salário do Executivo, Congresso, Judiciário, de todo o lugar."

A proposta encaminhada pelo governo aos parlamentares estabelece o parcelamento em dez anos de todos os precatórios com valor superior a R$ 66 milhões. Ela também cria uma regra temporária para parcelar débitos sempre que o valor desses passivos superar 2,6% da receita líquida. Para 2022, está previsto o parcelamento de todos os débitos judiciais com valor superior a R$ 455 mil.

Com a medida, o governo espera abrir R$ 33,5 bilhões de espaço no Orçamento de 2022. A proposta viabiliza, por exemplo, que o Bolsa Família seja turbinado.

O texto vem sendo criticado por economistas e entidades. A IFI (Instituição Fiscal Independente, ligada ao Senado) avalia que a PEC burla ao teto de gastos e abre caminho para a criação de um Orçamento paralelo. Relatório do instituto afirma que a proposta não traz nenhum avanço em termos de ajuste fiscal para abrir espaço no teto, regra que limita o crescimento das despesas do governo à variação da inflação.

O governo tenta convencer os parlamentares a aprovarem uma medida considerada impopular, pois afeta quem tem direito a receber a dívida confirmada pela Justiça. Governadores já se posicionaram contra o plano.

Enquanto Guedes cita o risco de cometer crime de responsabilidade se os gastos com precatórios não foram parcelados, Culau afirmou nesta quarta que a vacinação, obras de infraestrutura e emendas parlamentares (mecanismo usado pelos deputados e senadores para destinar recursos federais a suas bases eleitorais) podem ficar comprometidos em 2022.

No caso do Ministério da Saúde, ele disse que a pasta chegou a apresentar um plano de imunização, prevendo a aplicação da terceira dose da vacina contra a Covid-19, mas isso "se vê comprometido em razão desse aumento que tivemos de precatório”.

Os pagamentos de precatórios são contabilizados dentro do teto. Por isso, o governo enfrenta dificuldade em atender às demandas dos ministérios e do Palácio do Planalto.

Apesar da afirmação do secretário de Orçamento nesta quarta (18), de que faltará recursos para a imunização contra a Covid-19 em 2022, a compra de vacinas para Covid-19 tem sido realizada fora do teto de gastos, sob o argumento de que a crise do coronavírus e a segunda onda eram imprevisíveis, o que permitiu o uso de dinheiro fora dessa trava, por meio de crédito extraordinário.

Como 2022 será o terceiro ano da pandemia, técnicos do governo ainda discutem se a compra do imunizante pode ser considerada um gasto extraordinário.

Siga-nos no

Google News