WASHINGTON - Alguma coisa estranha aconteceu no mercado de trabalho dos EUA no ano passado. Enquanto a população envelheceu, a taxa de participação — que abrange todos os adultos que estão trabalhando ou procurando trabalho — ficou estável, derrubando sua tendência de queda e surpreendendo alguns economistas.
Aparentemente isso se dá graças a pessoas como Philip Lenowitz que, aos 67 anos, ainda está à disposição de seu empregador de longa data, o Instituto Nacional de Saúde dos EUA.
Quando o instituto telefona, o ex-vice-diretor de recursos humanos da instituição vai até o escritório que mantém em casa, em Asheville, Carolina do Norte, liga um computador do governo e trabalha como contratado contribuindo com sua experiência.
— É um compromisso com a missão e com as pessoas — disse Lenowitz.
Mas ele não é o único. A fatia dos trabalhadores americanos com mais de 61 anos que se aposentam desacelerou no ano passado pela primeira vez desde 2012. Os trabalhadores mais velhos continuaram na ativa e, dessa forma, foram o maior fator a sustentar a participação no mercado de trabalho, concluiu a pesquisadora Ellyn Terry, do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Atlanta, em análise recente.
A desaceleração nas aposentadorias foi pequena — e pode ter vida curta —, mas, ainda assim, respaldou a taxa de participação global. Pequena ou não, trata-se de uma mostra poderosa de quanta mão de obra potencial os EUA poderiam aproveitar retendo trabalhadores mais velhos por mais tempo.
Fazer isso poderia ser uma opção viável em um momento em que os trabalhadores mais velhos têm cada vez mais estudo e boa saúde e precisam de dinheiro extra.
— É possível ter uma política que incentive as pessoas a trabalharem por mais tempo — afirmou Matthew Rutledge, economista pesquisador do Centro para Pesquisa sobre Aposentadorias do Boston College. — Está bastante claro que as pessoas precisam trabalhar por mais tempo. E isso é algo que elas parecem capazes de fazer.
Mesmo que os trabalhadores se aposentem em uma idade mais avançada que as gerações anteriores, eles reportam que desejam permanecer no emprego mais tempo até do que estão conseguindo.
Cerca de 60% dos aposentados que participaram de uma pesquisa de 2016 do Centro de Estudos sobre Aposentadoria Transamérica afirmaram que se aposentaram antes do que tinham planejado, e apenas 7% disseram que tinham se aposentavam mais tarde.
Os problemas de saúde foram um motivo comum para a antecipação da aposentadoria, mas a perda do emprego e os desafios organizacionais também ficaram no topo da lista. Um estudo anterior da AARP, uma organização sem fins lucrativos que atende cidadãos idosos, mostrou que os trabalhadores mais velhos sentem que enfrentam discriminação etária, o que poderia contribuir para esses problemas.
Essas questões poderiam ser combatidas com políticas públicas que ofereçam proteção melhor contra discriminação ou acesso mais fácil a treinamentos para funcionários idosos e também por esforços corporativos que priorizem a retenção de talentos mais velhos.
A conclusão? Se os trabalhadores mais velhos continuarem se mantendo no mercado por mais tempo, o envelhecimento deixará de pesar tanto na participação da mão de obra. Isso ajudaria a estabilizar o crescimento da força de trabalho, fazendo com que a economia se expandisse mais do que sem esses trabalhadores.

