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Tribunal nos EUA arquiva processo que apontava insider trading do 3G, de Lemann

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Investidores da Kraft Heinz que tentavam provar a existência de insider trading pelo 3G Capital na venda de ações da companhia tiveram seu pedido negado em um tribunal no estado americano de Delaware na última sexta-feira (19).

O caso foi levado ao tribunal por três investidores depois que uma comissão administrativa criada pela Kraft Heinz concluiu não haver evidências de violação à lei nas negociações de ações.

A acusação era, tanto no pedido de providências feito à companhia, quanto à Justiça, de que a venda de ações pelo 3G Capital e seus associados foi feita a partir de informações que não eram públicas.

Diretores da Kraft Heinz teriam, segundo a queixa, ocultado informações de que haveria a iminente desvalorização do mercado.

Para a juíza Lori W. Will, os investidores que fizeram a queixa não conseguiram demonstrar que o conselho da Kraft Heinz teria cometido um erro ao recusar seu pedido de providências e por isso foi aceito o pedido de arquivamento feito pela defesa do 3G.

Com a decisão da sexta, os bilionários brasileiros Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles, do 3G, e outros indicados por eles ao conselho da Kraft Heinz nos Estados Unidos estão livres de um possível processo por uso de informação privilegiada.

Segundo a ação em Delaware, os investidores consideraram suspeito que o 3G tivesse vendido, em agosto de 2018, 20,3 milhões de ações, volume que representava 7% da participação do grupo na companhia alimentícia. Seis meses depois, a empresa reportaria uma desvalorização de US$ 15,4 bilhões.

A comissão criada pela empresa para apurar a denúncia contratou, segundo a decisão, consultoria jurídica independente e perícia contábil, que analisaram 150 mil documentos e entrevistaram dezenas de pessoas.

Esse trabalho levou dois anos para ser concluído, gerou 110 páginas de relatório que recomendava a rejeição do pedido dos investidores, confirmado depois pelo conselho da Kraft Heinz.

A Kraft Heinz foi formada em 2015, a partir da fusão da Kraft Foods com Heinz, capitaneada pelas empresas 3G Capital e Berkshire Hathaway, do bilionário americano Warren Buffett.

Em setembro de 2021, a Kraft Heinz comprou a brasileira Hemmer, que tem as mostardas como carro-chefe. No ano passado, o 3G vendeu o restante de suas ações da Kraft Heinz, em um movimento lido pelo mercado como necessário para dar liquidez ao empréstimo DIP de R$ 2 bilhões que o 3G fez no processo de recuperação judicial da Americanas, da qual Lemann, Telles e Carlos Alberto Sicupira são acionistas de referência.

Quando a administração da companhia estava sob influência do 3G, a Kraft se envolveu em um esquema de fraude contábil, incluindo o reconhecimento de descontos não ganhos de fornecedores e a assinatura de contratos de fornecedores falsos. Com isso, inflacionou seus ganhos do último trimestre de 2015 até o fim de 2018.

Em 2021, a Kraft Heinz concordou em pagar uma multa de US$ 62 milhões (R$ 314 milhões) para encerrar a investigação da SEC, o regulador federal de valores mobiliários nos Estados Unidos.

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