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Vale se diz otimista para fechar acordo de Mariana nos próximos meses

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O diretor Financeiro da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou, nesta sexta-feira (26), que a companhia está otimista quanto à possibilidade de chegar a um acordo nos próximos meses sobre as indenizações da tragédia de Mariana (MG).

A demora para concluir o processo foi criticada nesta quinta (25) pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que ameaçou a companhia com sanções em entrevista à Reuters. Silveira relacionou o impasse à troca no comando da mineradora, alvo de pressões do governo e afirmou que a Vale está "acéfala" desde a decisão pela saída do atual presidente, Eduardo Bartolomeo, que fica no cargo até a nomeação de um substituto.

"Continuamos otimistas sobre a nossa capacidade e a possibilidade de liquidar o acordo", afirmou Pimenta, em teleconferência com analistas. "Todas as partes estão muito engajadas e nossa visão é que nos próximos meses chegaremos a uma decisão."

Considerado o maior desastre ambiental brasileiro, a tragédia foi provocada pelo rompimento de uma barragem em mina da Samarco, empresa controlada pela Vale e pela BHP, em 2015, que deixou 19 mortos e um rastro de destruição entre Minas Gerais e o litoral do Espírito Santo.

Vale e BHP são alvos de ações judiciais para cobrança de danos morais e materiais no Brasil e no exterior. Na teleconferência desta quinta, Pimenta disse esperar que todo o impasse seja resolvido no país.

A companhia evitou, na teleconferência, comentários sobre as declarações de Silveira.

Ao abrir o encontro com analistas, o presidente da mineradora, Eduardo Bartolomeo, elencou avanços das operações no primeiro semestre de 2024, com crescimento da produção e do lucro em relação ao mesmo período do ano anterior.

No segundo trimestre, a empresa registrou volumes recordes de produção e vendas de minério de ferro, seu principal produto, levando o lucro a R$ 14,6 bilhões, mais do que o triplo do verificado no mesmo período do ano anterior.

Pelo resultado, a companhia anunciou a distribuição de US$ 1,6 bilhão (cerca de R$ 9 bilhões) em dividendos a seus acionistas.

"O primeiro semestre já passou e acho que o melhor está por vir", afirmou Bartolomeo, reforçando que a empresa apresenta aumento de produção há três trimestres consecutivos e avança em projetos de investimento que acrescentarão mais 30 milhões de toneladas por ano à sua capacidade.

Bartolomeo não agrada ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que atuou para evitar sua recondução. Após uma série de embates internos, o conselho de administração da companhia decidiu em março estender seu mandato até que um sucessor seja encontrado.

Em busca de influência na mineradora, Lula tentou inicialmente emplacar o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, no cargo. Mais recentemente, ventilou o nome de Dario Durigan, secretário do Ministério da Fazenda.

Vem usando como instrumento a Previ, a fundação que gere a aposentadoria privada dos funcionários do Banco do Brasil e é uma das maiores acionistas da mineradora.

Diante de uma série de vazamentos de informações, o presidente do conselho da companhia, Daniel Stieler, teve que vir a público reafirmar confiança nos procedimentos internos de governança no processo de sucessão.

Um dos vazamentos foi a lista de 15 candidatos preparada pela consultoria internacional Russel Reynolds, que criou constrangimento para diversos dos indicados, hoje na liderança de outras grandes empresas brasileiras.

Em meio a esse processo, Lula e aliados vêm se revezando em críticas à companhia, não só pelo atraso no acordo de Mariana, mas também sobre a visão estratégica da companhia.

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