Senna, Prost, Piquet... Sobrenomes que remetem a lendárias corridas de Fórmula-1 se perpetuam, por seus descendentes, em outra prova mítica: as 24 horas de Le Mans, que começam hoje, às 10h, no Circuit de La Sarthe, na França. Bruno, Nico e Nelsinho fazem parte da equipe Vaillante Rebellion na categoria LPM2, com dois carros no grid, que conta com 60 automóveis.
Muitos deles vão a Le Mans apenas correr a tradicional prova de 24 horas, que faz parte do Mundial de Endurance, e conta com pontuação dobrada. Tudo pelo mito em torno da corrida.
— É uma das provas mais tradicionais do mundo. Comparando, é como o GP de Mônaco e as 500 milhas de Indianápolis. Tem muito prestígio e todo mundo quer fazer e vencer — conta Bruno Senna, que está em sua quinta participação na prova.
Dos 180 pilotos, oito são brasileiros, na maior presença do país desde a primeira edição da prova de endurance, em 1923. Além de Bruno e Nelsinho, Rubens Barrichello, André Negrão, Daniel Serra, Pipo Derani, Tony Kanaan e Fernando Rees são os outros representantes do país.
Seriam nove, mas Lucas Di Grassi, que estava confirmado, sofreu uma fratura na perna num jogo beneficente de futebol na Inglaterra. Di Grassi, da Fórmula-E, que faria sua quinta participação, reconhece a grandiosidade da corrida.
— Le Mans é sobre as máquinas e o homem, a capacidade de superar obstáculos, de resistir com bravura, de estar entre os melhores ao final de uma verdadeira guerra de 24 horas ininterruptas — declara.
Os brasileiros, no entanto, não serão todos adversários. As 24 horas de Le Mans têm quatro categorias, sendo duas de protótipos híbridos e mais velozes, e duas de Gran Turismo, com carros mais parecidos com os de rua, e três pilotos por equipe.
Bruno e Nelsinho, por exemplo, mudaram de categoria. Ano passado, correram na LMP1, a mais veloz de todas. Este ano, estão na LMP2. Todas, no entanto, exigem o mesmo dos pilotos: concentração e resistência. Afinal, eles podem passar até quatro horas dentro do carro.
— A parte física não é a mais importante, apesar de ser uma corrida de 24 horas. A prova exige mais pelo trânsito, e, principalmente, o psicológico. É necessário saber se desconectar da corrida para descansar — explica Senna, que conta com um para dormir nos intervalos. — Eu esqueço completamente da corrida. Mas há um fisioterapeuta para garantir que os pilotos estejam prontos uma hora antes de voltar à pista.
Ano passado, Nelsinho Piquet, ao lado de Nico Prost e Nick Heidfeld, venceu entre os protótipos independentes. Este ano, Senna espera ter a mesma sorte na categoria LMP2. Nas duas primeiras provas do Mundial de Endurance, a equipe terminou em segundo lugar e ocupa a terceira posição no campeonato. A vitória em Le Mans, além de histórica, é fundamental para o campeonato.

