Buenos aires A Argentina entra em campo hoje não para um tudo ou nada - mas é bem próximo disso. Sem vencer há três rodadas (derrota para a Bolívia e empates com Uruguai e Venezuela), os argentinos encaram o Peru às 20h30 (de Brasília), em La Bombonera, precisando urgentemente de uma vitória na penúltima rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia. O último compromisso da seleção é contra o Equador, na altitude de 2.850m de Quito.
Das vinte Copas, a Argentina não esteve presente em quatro edições: 1938, 1950, 1954 e 1970. Para não deixar que o desastre se repita, é preciso fazer contas. Em caso de vitória, a Argentina, que ocupa a quinta colocação (que garante ao menos a repescagem, contra a Nova Zelândia, representante da Oceania), chegará aos 27 pontos. Colômbia (26 pontos) e Paraguai (21) duelam em Barranquilla. Em caso de empate, a Argentina pode pular até para a terceira posição. O Peru, que não vai a uma Copa desde 1982, é rival direto, com os mesmos 24 pontos e saldo igual (um), mas em vantagem por gols (25 a 15).
Nem com uma goleada a Argentina terá chances de garantir hoje a vaga, mas pode, ao menos, assegurar o lugar na repescagem. Para isso, além de vencer seu compromisso, precisa torcer para que o Paraguai não vença e que o Equador derrote o Chile em Santiago.
Para obter sucesso na missão, o time comandado pelo técnico Jorge Sampaoli conta, além de Lionel Messi & Cia., com a pressão da torcida na mítica La Bombonera, estádio do Boca Juniors, famoso por criar um clima de intimidação aos rivais. Em Buenos Aires, a “albiceleste” normalmente manda seus jogos no Monumental de Nuñez, casa do River Plate, considerado um local mais neutro.
Jorge Sampaoli deve divulgar a escalação somente horas antes da partida. As incógnitas estão do meio para a frente. Pelo que foi visto em treinamentos no Centro de Treinamento em Ezeiza, o técnico deve optar pelo esquema 4-2-3-1. Banega aparece como favorito para a cabeça de área. Ao seu lado, Biglia e Paredes disputam uma posição.
Na linha de três no meio, Messi e Di María são intocáveis. Para compor o trio, Sampaoli estuda escalar Alejandro Gómez, Rigoni ou Pérez. Na frente, Bendetto, do Boca, deve ser o centroavante, deixando Mauro Icardi, da Inter de Milão, no banco.
No sistema defensivo, o treinador não apresentará novidades. Com isso, os Argentinos devem ir a campo com: Romero, Mercado, Otamendi, Mascherano e Acuña; Banega e Paredes (Biglia); Alejandro Gómez (Rigoni ou Pérez), Messi e Di María; Benedetto.
Dybala fica no banco
Em meio às opções para as mais variadas posições, uma dúvida surge: e Paulo Dybala, atacante que faz enorme sucesso da Juventus, da Itália? Não haveria lugar para ele na constelação hermana? O desejo de Sampaoli era ter os dois. A dupla foi escalada em três dos quatro jogos sob seu comando: vitória sobre o Brasil em amistoso e os últimos dois empates nas Eliminatórias. A magia, porém, não apareceu.
Dybala tem números fracos pela seleção. Em dez jogos (oito oficiais e dois amistosos), nenhum gol. Em recente entrevista na Itália, o atacante deu uma declaração que soou como desabafo, mas pode ter feito o treinador enxergar o que não queria, por ora.
— Não quero que me interpretem mal, mas, para mim, é difícil jogar com Messi. Jogamos na mesma posição. Sempre tento deixar a Leo (Messi) seus espaços, mas não é fácil. Terei que me adaptar a ele — disse Dybala, que mostra afinidade com o companheiro. — Na seleção, posso aprender muito com ele. Vejo como ele lê o jogo, como vê o movimento dos companheiros e isso pode me ajudar muito. O tempo que passamos juntos na seleção serão muito importantes para mim.
Ao optar pelo centroavante Benedetto como referência na área, com Messi flutuando por trás, Jorge Sampaoli parece deixar claro que precisará dessa afinidade também dentro das quatro linhas.
Se Dybala ficará no banco, Lionel Messi está mais do que confirmado. E contra um adversário especial. Contra o Peru, em 2005, o craque foi titular pela primeira vez na Argentina sub-20 (vitória por 6 a 0, com um gol do craque). E foi também contra os peruanos que, no mesmo ano, Messi começou jogando pela seleção principal. Triunfo por 2 a 0 e, mesmo sem marcar, foi eleito o destaque da partida. Sinal de sorte para o argentino.
países de olho em 2030
Os presidentes da Argentina, Mauricio Macri, do Uruguai, Tabaré Vázquez, e do Paraguai, Horacio Cartes, lançaram ontem, em Buenos Aires, a candidatura dos três países para a organização conjunta da Copa do Mundo de 2030. O mandatário da Fifa, Gianni Infantino, também esteve presente na cerimônia.
— Estamos muito felizes e, se nos derem a oportunidade, seremos grandes anfitriões. Se tem algo que sobra nesta região é a paixão futebolística — afirmou Mauricio Macri.
Segundo o jornal “La Nación”, a Argentina teria oito estádios na Copa do Mundo, e Uruguai e Paraguai, dois.

