A classificação do Botafogo para as oitavas de final da Libertadores está bem encaminhada — basta uma vitória nesta quinta-feira ou, desde que o Estudiantes não vença, um empate. Mas o aproveitamento do time desde a última vez em que enfrentou o Atlético Nacional, adversário das 21h45m no Engenhão, preocupa. Após o primeiro jogo, no dia 13 de abril, o Botafogo teve aproveitamento quase quatro vezes menor do que o do Atlético. Desde a vitória por 2 a 0 no Atanásio Girardot, da Colômbia, só houve uma vitória, pela Copa do Brasil. Na Libertadores, em que dividia a liderança do grupo com o Barcelona de Guayaquil, o clube agora ocupa o segundo lugar, três pontos atrás da equipe equatoriana. Já no Estadual, perdeu a final da Taça Rio para o Vasco e a semifinal do campeonato para o Flamengo. No Brasileiro, estreou com derrota para o Grêmio.
Enquanto isso, invicto no seu campeonato nacional, o Atlético bateu recorde de pontuação no Abertura: nenhum outro clube havia conseguido 48 pontos em 18 rodadas. Além disso, a equipe conquistou a Recopa contra a Chapecoense numa goleada de 4 a 1. O mesmo placar foi aplicado contra o Estudiantes e recuperou a equipe na Libertadores — as derrotas nas três primeiras rodadas pareciam ter acabado com as chances de classificação, mas ainda há uma esperança, mesmo pequena.
As chances do alvinegro são maiores, mas a discrepância dos momentos não deixa de assustar. O técnico Jair Ventura ofereceu uma explicação para as fases tão diferentes:
— Os times que jogaram a pré-Libertadores começaram o ano antes dos demais. Nós aceleramos muito no começo da temporada e agora estamos oscilando. Mas a força no começo foi necessária, porque sem ela nós não estaríamos aqui.
O treinador até comparou o desempenho do Botafogo com o do Atlético Paranaense, a outra equipe brasileira que disputou as fases preliminares da competição sul-americana. Desde que venceu o Flamengo pela Libertadores, em abril, o clube não venceu: perdeu três jogos e empatou dois.
— A equipe do Paulo (Autuori) também está dando uma oscilada. É coincidência? Vocês sabem que eu não trabalho com desculpas, mas nós dois tivemos um calendário diferente, por isso estamos numa situação parecida.
Também foi o desgaste, segundo o treinador, que causou o elevado número de lesões na equipe. Para hoje, dois jogadores são desfalque: Montillo e Emerson Silva. O argentino se recupera de uma lesão na coxa direita, e o zagueiro se trata de uma pancada no joelho esquerdo, sofrida contra o Barcelona de Guayaquil. O time também não terá o meia Airton e o zagueiro Marcelo, suspensos.
Há um lado bom no momento complicado que o Botafogo enfrenta antes do jogo. Quando jogou contra o Barcelona de Guayaquil, há 16 dias, o clima era de euforia: líder invicto na Libertadores, a um passo da classificação, vindo de um bom resultado fora de casa contra o próprio Barcelona e com Sassá de volta e recém-consagrado artilheiro da equipe no ano. O que pode deixar os alvinegros “otimistas” é que, nessa partida, Botafogo perdeu por 3 a 2. Agora, o cenário é quase oposto.
Tem sido uma tendência: neste ano, quanto maior a dificuldade, mais o time cresce.
Na estreia contra o Colo-Colo, por exemplo, o time vinha de uma derrota e um empate, tinha problemas de lesão, e Sassá tomava as atenções (não fora inscrito para a Libertadores na lista inicial por questões disciplinares). O Botafogo venceu por 2 a 1. A esperança é que, nesta quinta-feira, o final seja o mesmo.

