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Cercado de pressão, PSG joga contra o Napoli pelo futuro na Liga dos Campeões

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Não é convencional a situação do Paris Saint-Germain. Típico produto do futebol atual e aspirante a gigante movido a investimentos milionários de donos forasteiros, seu paradoxo também é próprio dos novos tempos. Quem olhar a tabela do Campeonato Francês, verá um time com 12 vitórias em 12 jogos, recorde na história das grandes ligas da Europa e virtual dono do sexto título em sete anos. Mas há pressão por todos os lados na equipe que tem um jogo quase de vida ou morte nesta terça-feira, às 18h (de Brasília), contra o Napoli, na Itália.

Raros torneios do mundo experimentam tanta disparidade econômica e, por consequência, técnica como o Francês. As 12 vitórias não sustentam uma avaliação positiva de um projeto tão ambicioso, que na última temporada fez o fundo soberano do Qatar, dono do PSG, comprometer € 400 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão em valores atuais) para contratar Neymar e Mbappé. A Europa é a meta, a inserção numa elite de clubes lendários é a ambição.

Mas uma derrota hoje pode colocar o time à beira de uma eliminação ainda na fase de grupos da Liga dos Campeões, um fracasso retumbante capaz de abalar estruturas do projeto.

Se perder em Nápoles e o Liverpool cumprir a expectativa de bater o Estrela Vermelha em Belgrado, o PSG ficará em terceiro, a cinco pontos dos ingleses e quatro dos italianos. Na próxima rodada, poderia ver o Napoli ficar inalcançável, já que enfrenta o fraco Estrela. O empate hoje não chega a ser bom, mas faria o time depender só de suas forças contra sérvios e ingleses nas últimas rodadas do grupo.

— Uma derrota será quase o fim para nós — disse o zagueiro Thiago Silva.

Alvo do football leaks

A ameaça de crise tem uma face esportiva personificada em Neymar. Periodicamente, sua permanência é posta em dúvida. Uma investida do Real Madrid para contratá-lo por um novo recorde mundial é tratada na Europa como questão de tempo e oportunidade. Fracassos esportivos podem criar a ocasião. E pior: caso termine em terceiro lugar, o PSG passaria pelo constrangimento de ser “rebaixado” para a Liga Europa.

Restaria saber até que ponto os astros do PSG perderiam a confiança nas chances de o clube de se inserir entre os campeões europeus. Plan os pessoais também seriam afetados, como o de Neymar, na busca para ser o melhor do mundo.

Uma crise que envolve também uma face econômica. Não é fácil, hoje, ter segurança quanto aos futuros investimentos dos qataris em Paris. O que torna a ocasião delicada para uma derrota tão contundente. Afinal, o PSG virou alvo na Europa quando o assunto é seu poderio econômico. Sua condição de “clube-estado” sempre o tornou uma peça vigiada com lupa por rivais na geopolítica do jogo. Nas últimas semanas, o quadro se agravou.

Novos documentos tornados públicos pelo Football Leaks indicam que a Uefa teria encoberto falhas do Manchester City, que pertence a família real dos Emirados Árabes, e do PSG de cumprirem o Fair Play Financeiro. Seus donos teriam injetado dinheiro nos clubes sob a forma de contratos de patrocínio muito acima de valores de mercado, configurando um doping financeiro. Segundo o jornal digital francês “Mediapart”, € 1,8 bilhão (R$ 7,2 bilhões, em números de hoje) teriam sido aplicados irregularmente.

O clube teriam contado com a ajuda de Michel Platini, ex-presidente da Uefa, e de Gianni Infantino, ex-secretário-geral da entidade e hoje à frente da Fifa, para que evitassem punições mais severas, como o banimento de competições.

Ainda é incerto o peso que a repercussão do caso terá em novos investimentos ou mesmo nos acordos comerciais do clube. Afinal, todos se baseiam na busca por um lugar na realeza. Até hoje, o clube jamais passou das quartas da Champions. Nas últimas duas edições, parou nas oitavas. Hoje, tem de evitar passos atrás.

— Sinto que estamos prontos — disse Thomas Tuchel, técnico do PSG.

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