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Belo Horizonte A estrada que Neymar terá de percorrer para chegar em boas condições à Copa do Mundo não está livre de lombadas e buracos. A recuperação do pé direito depois da cirurgia que fez para corrigir a fratura no quinto metatarso exigirá do jogador paciência e disciplina em um nível que ele nunca teve de dar antes. O principal astro do futebol brasileiro será testado, principalmente, em termos psicológicos.

Isso porque a insegurança é problema recorrente em atletas depois que sofrem esse tipo de lesão. Manoel, zagueiro do Cruzeiro, sofreu a mesma fratura que Neymar, só que no pé esquerdo, em abril do ano passado. Depois de recuperação em prazo normal, de três meses, voltou a jogar. Quando entrou em campo, porém, não era o mesmo.

— Eu sentia medo de dividir uma bola, de saltar, de pisar em falso. Isso afeta a maneira como você joga. Sempre que eu pulava, tentava colocar o peso do meu corpo mais na perna direita, para preservar o pé que eu tinha lesionado. Vou ser bem sincero, só me senti 100% confiante no meu pé este ano — revelou.

Antes de enfrentar o fantasma da insegurança, Neymar terá de driblar a pressa. Em casos de fratura no pé, a ordem expressa nas primeiras quatro semanas, aproximadamente, é clara: está proibido colocá-lo no chão, para não atrapalhar o processo de calcificação. Enquanto está no hospital, é mais fácil se lembrar, mas depois, em casa, esquecer da recomendação é sempre um risco. Neymar deixou Belo Horizonte ontem pela manhã e desembarcou em Mangaratiba, onde fará essa fase inicial e importante da recuperação. O craque se movimentou na maior parte do tempo sozinho, mas sempre com o auxílio de muletas. Viajou acompanhado da mãe, dona Nadine, da irmã, Rafaela, e da namorada, a atriz Bruna Marquezine.

fiéis escudeiros

Nesse período, ele estará sob os cuidados do fisioterapeuta Rafael Martini, do Paris Saint-Germain e da seleção, que o acompanha desde os tempos de Santos. Foi Neymar quem o levou para o PSG, e o fato de Martini conhecer o histórico físico e clínico do camisa 10 como poucos pesou para que fosse também integrado à comissão técnica da CBF. Formado na Universidade Federal de São Paulo e especialista em biomecânica pela Universidade Estadual de Campinas, será dele a maior responsabilidade no primeiro estágio de recuperação do jogador.

— É preciso ter muita paciência para se recuperar bem, fazer tudo direitinho. É uma lesão difícil porque você depende do pé para tudo. Você não pode forçar o local. Depois que eu voltei, ainda sentia estalos no pé. Foi frustrante porque eu vivia um bom momento no Cruzeiro na época da lesão — lembra Manoel, atualmente reserva. O jogador não foi relacionado para o clássico de ontem, contra o Atlético Mineiro.

Neymar ainda terá o reforço do enxerto ósseo no local da fratura para acelerar a recuperação. O quanto antes estiver clinicamente recuperado, poderá se dedicar aos trabalhos físicos. Será quando seu segundo anjo da guarda deverá entrar em ação: o preparador Ricardo Rosa que, assim como Martini, acompanha o craque desde a Vila Belmiro. No período em que Neymar enfrentou sua maior maratona de jogos — em 2010 e 2011, o atacante disputou 122 partidas por Santos e seleção —, era ele quem cuidava do seu condicionamento físico.

A atual temporada, antes mesmo da lesão no quinto matatarso, já era uma das menos intensas de Neymar, muito por conta de pequenos problemas médicos — dores que não chegavam a ser graves, mas que eram suficientes para tirá-lo das partidas do Paris Saint-Germain. Até a fratura, ele já havia perdido 11 jogos. Para se ter uma ideia, na temporada 2014/2015 inteira com o Barcelona, em que foi campeão espanhol, da Copa do Rei e da Liga dos Campeões, deixou de atuar em apenas nove.

descanso e confiança

No fim das contas, Neymar chegará ao Mundial da Rússia descansado por uma temporada de estreia pelo PSG que já não vinha sendo das mais exigentes, o que foi potencializado com a lesão no pé direito. Porém, mais do que recuperado clínica e fisicamente, será preciso que o atacante retorne a campo se sentindo capaz de fazer o que fazia antes da fratura, sem limitações.

— Sei como é difícil, passei por isso, mas espero que ele volte da melhor maneira possível para defender a seleção. Todos os brasileiros torcem para que ele traga essa conquista da Copa para o país — concluiu Manoel.

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