SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A F-1 confirmou nesta sexta-feira (24) que o Brasil não receberá uma prova da categoria em 2020. A atual temporada, que começou no início do mês e já teve três corridas realizadas (duas na Áustria e uma na Hungria), ficará restrita apenas a países da Europa e Ásia, devido à pandemia de Covid-19. Além do Brasil, Estados Unidos, Canadá e México, países da América que também tinham Grandes Prêmios previstos para o calendário deste ano, ficarão sem os eventos. No lugar deles, foram confirmadas três provas, chegando a 13 no calendário deste ano, que ainda não está fechado. Os circuitos de Nürburgring (Alemanha), Portimão (Portugal) e Ímola (Itália) foram adicionados nos meses de outubro e novembro. Nenhum estava previsto originalmente. O autódromo Enzo e Dino Ferrari, na região de Ímola, recebia o GP de San Marino até 2006. Ele é marcado na história do esporte por ter sido o local da morte de Ayrton Senna, em 1994. Nürburgring estava fora desde 2013, e Portimão estreará (a última prova em Portugal foi em 1996). Após três fins de semana consecutivos de etapas em julho, a F-1 faz uma pausa neste e volta no próximo, para uma nova sequência tripla: duas provas em Silverstone (Inglaterra) e uma em Barcelona. Outras quatro etapas estão confirmadas: uma na Bélgica (Spa), mais duas na Itália (Monza e Mugello) e uma na Rússia (Sochi). Nesta última, os organizadores esperam receber público, algo que não vem acontecendo até o momento. A Rússia já permite a realização de eventos esportivos com espectadores, como as partidas de futebol do campeonato local, por exemplo. A temporada deverá ser finalizada com corridas na Ásia, ainda não oficializadas. Com a confirmação da exclusão, em 2020 o Brasil deixará de receber uma etapa da F-1 desde o início dos anos 1970. Em 1972, foi realizada uma prova no país que não contou pontos para o campeonato, o que passou acontecer no ano seguinte e assim permaneceu até 2019. Originalmente, o GP de Interlagos estava previsto para 15 de novembro. A Prefeitura de São Paulo possui contrato com a categoria apenas até este ano para sediar a prova no autódromo, mas desde 2018 vive uma novela envolvendo a tentativa de sua renovação. No ano passado, ainda ganhou a concorrência do Rio de Janeiro, que pretende receber um GP a partir de 2021. Em maio de 2019, o presidente Jair Bolsonaro assinou termo de cooperação para levar a corrida para lá. A promessa é que a construção de um circuito em Deodoro, na zona oeste da cidade, no valor de R$ 697 milhões, seja quitada apenas com recursos privados. No mesmo mês, o empresário JR Pereira, representante da Rio Motorsports, ganhou licitação para construir o autódromo. As obras, no entanto, ainda não saíram do papel Uma das etapas necessárias para o início da construção estava travada até a última semana, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) atendeu a um pleito da Prefeitura do Rio Janeiro e permitiu uma audiência pública virtual para analisar o impacto ambiental das obras. Com incertezas sobre o futuro da categoria no Brasil, os possíveis cenários a partir de 2021 são: renovação do contrato com São Paulo; ida da prova ao Rio; país ficar sem GP. A força-tarefa criada em São Paulo, que envolve o governo do estado e a prefeitura, além da promotora do evento em Interlagos, a empresa Interpub, tenta convencer a F-1 a assinar um novo contrato. A FOM, braço comercial da categoria, sob a gestão do americano Chase Carey, não abre mão de receber a chamada "taxa de promotor", que pelo acordo assinado em 2014 São Paulo está isenta de pagar. O valor não é público nem fixo, variando conforme o local do evento. O Rio, por exemplo, teria feito uma oferta de US$ 35 milhões (R$ 182 milhões). No dia 10 de julho, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), na linha de frente das negociações para que a prova permaneça na capital paulista, chegou a dizer que a etapa 2020 estava garantida. Sobre a renovação para 2021, ele disse que continuava conversando com a Liberty Media [empresa que controla a categoria]. "Aqui temos um autódromo pronto, consagrado, tido como um dos cinco melhores do mundo. Nada contra o Rio, mas não faz sentido um gasto de R$ 1 bilhão."
