A estratégia de evitar entrevistas, se esquivar de respostas objetivas sobre a falta de acordo com a maior parte das famílias das vítimas e tratar os mesmos como inimigos de tribunal incomodou até mesmo a torcida rubro-negra.
E a decisão de barrar familiares que pretendiam fazer uma oração dentro do Ninho do Urubu no último sábado fez a onda de críticas alcançar um público ainda maior.
"Eu vim acender uma vela para o Jorge e parece que estou aqui para aparecer. É humilhante", reclamou Simone, tia de Jorge Eduardo, uma das vítimas fatais.
"Por que foram lá sem marcar?", rebateu o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim.
Os questionamentos vinham de todos os lados e apontavam uma falta de sensibilidade diante de famílias que viram adolescentes perderem suas vidas.
O domingo (dia 9) um dia após a data de um ano da tragédia foi simbólico. À tarde, as principais organizadas do clube convocaram uma manifestação cobrando respostas da diretoria rubro-negra. No início da noite, em um dos programas de maior audiência da TV aberta, o apresentar da Globo Faustão fez duras críticas ao comportamento do clube, sempre apegado ao debate jurídico e de valores de indenização.
Nos corredores da Gávea, a postura da cúpula de não encarar de frente questões sensíveis ligadas ao caso e sempre pautar as declarações pelo viés da briga judicial pelas indenizações já não encontra tanto eco.
Até mesmo os departamentos de comunicação e marketing se opõem a tal estratégia. Nada, no entanto, que faça o trio formado por Landim, o vice-presidente de relações externas, Luiz Eduardo Baptista, e o CEO do clube, Reinaldo Bellotti, mudar de ideia. São eles os responsáveis pela escolha de posicionamento diante do caso.
