Filho de uma faxineira e órfão do pai, que era padeiro, aos 6 anos, Herik Machado é daqueles exemplos de que o esporte abre as portas para o mundo. Graças a um projeto social, este gaúcho de 20 anos deu suas primeiras tacadas no golfe. Número 1 do país no ranking amador, ele é uma das atrações do Aberto do Brasil, que começou nesta quinta-feira e termina domingo, no Campo Olímpico, na Barra. A entrada é franca.
— Eu tinha 9 anos, morava muito perto de um campo de golfe, o Clube Campestre de Livramento. Um primo meu era caddie (uma espécie de auxiliar dos jogadores) e me incentivou a jogar -lembra o jogador, natural de Santana do Livramento.
Logo depois do incentivo do primo Cristian, Herik, que tem seis irmãos, passou a integrar o projeto Novos Talentos e não demorou a se destacar. Aos 15 anos, já começou a jogar fora do Brasil. E, aos 17, chegou ao posto de número 1 do país.
Graças ao esporte, Herik conheceu alguns países. De tantas ótimas recordações, guarda com carinho a experiência que viveu no Mundial, há três anos, em Karuizawa, no Japão.
— Foi minha primeira vez em um torneio tão grande. Representei meu país e conheci o Japão, o sonho de qualquer golfista. Estava muito nervoso, minhas pernas tremeram, mas joguei com os melhores do mundo. Foi marcante — recorda ele, que treina até oito horas por dia.
Conquistas como o sul-americano individual juvenil e mundial da Faldo Series mostram que Herik está no caminho certo para realizar seu maior sonho: representar o Brasil em uma Olimpíada. Até lá, consciente do quanto o caminho é difícil, o número 160 do ranking mundial sabe que terá que vencer outras etapas. Mas sem atropelar:
— Ainda sou muito novo. Se não conseguir na próxima Olimpíada (2020, em Tóquio), tentarei na outra (em Paris, em 2024).

