Neste primeiro ano de ciclo olímpico para Tóquio-2020, o skate brasileiro não pode se queixar da falta de grandes eventos. Três das principais modalidades da atualidade estiveram presentes por aqui. Em janeiro, houve o Oi Bowl Jam, em Madureira. Neste sábado, em São Paulo, foi a vez do Vans Park Series, com vitória do brasileiro Pedro Barros, à frente do italiano Ivan Federico e do norte-americano Alex Sorgente. E, no dia 25 de abril, começa na Barra da Tijuca o Oi Skate Total Urbe, um campeonato de street com premiação de R$ 400 mil.
Na primeira edição olímpica do skate já está decidido que haverá dois campeonatos, um de street e outro de park. Street, aquela pista que simula obstáculos de rua (com escadarias, corrimões e rampas), é conhecido. Mas o park é mais complicado de ser compreendido porque tem conceito mais amplo.
— Um bowl (que tem formato de piscina) tem paredes de 3, 4 metros. Quando a pista é um bowl mas com paredes menores chamamos de banks. A pista da Lagoa, por exemplo, é um banks. Agora, quando temos uma pista que mistura bowl, banks e um pouco de street podemos chamar de park. No park, também é importante que os obstáculos conversem entre si. Ou seja, que o skatista acerte uma manobra e já encontre outra transição pela frente para emendar em outra — diz André Viana, presidente da Federação de Skate do Estado do Rio de Janeiro.
Gerente da equipe de skate da Vans Park Series, uma das marcas mais fortes do esporte no mundo, Rodrigo Lima faz coro a André Viana.
— O park é uma das mais novas modalidades de skate. Ela une o já tradicional bowl, um dos primeiros tipos de pista de skate, a novos elementos e estilos de andar de skate. Numa pista de park, além das transições que lembram os bowls, o praticante encontra também elementos de street. Isso torna as linhas e rotinas do skatista mais fluídas — explica Rodrigo.
Para o campeão mundial Sandro Dias, o park é um encontro de tudo:
— A pista de park junta todas as modalidades em uma só. Diria que é a pista mais democrática do skate. O skatista, para se dar bem, precisa ser um atleta versátil. No vertical, por exemplo, a pista é mais ou menos a mesma em todas as competições. O tamanho da pista de vertical pode ser um pouco maior ou menor, mas ela é do mesmo jeito. No park, cada pista é única, e o skatista precisa encontrar os pontos críticos para acertar as melhores manobras. No vertical, o ponto crítico é sempre o mesmo - conta Sandro Dias, também conhecido como Mineirinho.
Por ser quase impossível fazer uma pista de park igual a outra, a competição tende a ser mais justa do que em outras modalidades. O normal nesta modalidade é o skatista conhecer a pista na semana da competição, evitando que algum atleta tenha mais intimidade com o local do que outro.
Este é o segundo ano do Park Series no Brasil. A primeira edição foi em Florianópolis, no ano passado. O evento, atualmente, é o principal circuito da modalidade no mundo e vai servir de base para Tóquio-2020 apesar do critério olímpico de classificação ainda não ter sido definido. Em janeiro, o norte-americano Tom Schaar venceu a etapa de abertura desta temporada, na Austrália. Depois do Brasil, o circuito segue para Suécia, Canadá e Califórnia. Essas etapas classificam para a grande final em setembro, em Chicago (EUA).
— A importância de um evento como o Park Series é que ele está lançando um novo padrão de competição, com uma equipe de organização nova e com o diferencial de buscar um alto nível de competição, mas sem perder a essência do skate — comenta Pedro Barros, principal esperança de medalha para o skate brasileiro em Tóquio-2020.
Para Justin Regan, diretor de marketing da Vans no mundo, é essencial que o circuito tenha uma etapa no Brasil.
— O Brasil tem uma cultura de skate bem estabelecida e produz, de forma consistente, grandes atletas profissionais. Qualquer circuito competitivo de skate que queira ser verdadeiramente mundial deve passar pelo Brasil e pelo resto da América do Sul — diz Regan.
Na opinião de Rodrigo Lima, a vinda do circuito pela segunda vez para o Brasil é importante para difundir a modalidade neste ciclo olímpico.
— O Brasil ainda é carente de pistas como essas da modalidade, porém com o park sendo olímpico em 2020 e com grandes chances de brasileiros subirem ao pódio, é bem possível que em breve as rampas com essas características comecem a aparecer em novos projetos pelo país — pensa Rodrigo.
Segundo a reportagem apurou, a disputa no skate pela classificação para Tóquio-2020 deve ter início em 2019, a um ano da competição olímpica. O formato e os critérios, no entanto, ainda não foram definidos.

