Enquanto a Polícia Militar e o Ministério Público responsabilizam o Vasco pela selvageria após o clássico com o Flamengo, sábado, em São Januário, o presidente do clube, Eurico Miranda, rechaça as acusações e joga a culpa na PM, que teria dado uma resposta desmedida e incitado ainda mais a violência. O dirigente tambén negou que haja espaço dentro do estádio para membros da Força Jovem, assim como integrantes das organizadas sejam seguranças do clube com seu consentimento.
- É maneira de proceder de dentro do campo começar a atirar bombas para arquibancada indiscriminadamente? Essa é a maneira de reprimir? Eu condeno que se atire uma bomba de efeito moral indiscriminadamente. Isso está sendo apurado. Não vi nenhum conflito por torcidas, o que é normal em jogos. Mas a forma como reprimiu instigou o negócio a ficar generalizado - disse Eurico, acrescentando que se houver comprovação de alguma irregularidade, as medidas serão tomadas. - Se houver uma investigação e se for comprovado (que alguém de dentro ajudou), é claro que a demissão é sumária.
Apesar do Estatuto do Torcedor responsabilizar o promotor do jogo, no caso o Vasco, Eurico Miranda afirma que a segurança é de atribuição da PM. De acordo com ele, a revista foi feita por seguranças particulares a pedido da polícia, que alegou não ter contigente para o serviço.
- Reafirmo queo Vasco não se exime de responsabilidade, mas não tem nenhuma responsabilidade pelos fatos que ocorreram. Fizemos tudo o que nos foi pedido. A culpa é daqueles que tinham obrigação de dar segurança ao espetáculo. Um rperesentante do MP (Rodrigo Terra) disse que a obrigação é do Vasco. Por aí, percebe-se que é o tipo de afirmação de quem desconhece. A realidade, desde que eu me entendo por gente, é quem dá segurança é a polícia. Tanto que o Rio tem grupamento especializado só em policiamento de estádios - argumentou o presidente.
Sobre a possibilidade de perder mandos de campo, o dirigente afirmou que o clube irá se defender e deixar claro que São Januário é um estádio seguro.
- Entendo que o clube não pode ser punido se ficar demonstrado que tomamos todas as providências para que não viessem acontecer incidentes. Vamos nos defender - garantiu.
Eurico disse não ver problema em jogar a partida de volta na Ilha do Urubu, caso a PM dê garantias de segurança. Antes do clássico, ele sugeriu que a partida fosse realizada com torcida única, pois apenas 5% dos ingressos seriam destinados ao adversário. Assim, o jogo de volta também seria apenas com rubro-negros. Porém, a polícia garantiu a partida com as duas torcidas.
- É a PM que tem que dizer se pode dar segurança ou não. Eu não posso ser contra (o jogo ser na Ilha). Cada um tem que assumir sua responsabilidade e a PM não pode se eximir da sua. Eles podem falar que não têm condições e não têm homens, é obrigada a dar segurança - disse.

