Início Esportes Ex-piloto de corridas, brasileiro supera grave lesão para se reinventar no dardo
Esportes

Ex-piloto de corridas, brasileiro supera grave lesão para se reinventar no dardo

Envie
Envie

Luzes, música para entrada triunfal, locutor empolgado, delírio do público e modelos chamadas de “walk-on girls” deslizando pela “passarela”: ingredientes que descrevem com perfeição os grandes eventos do UFC e lutas de boxe. Mas essa atmosfera envolve também um esporte que surgiu na Inglaterra, é pouco disseminado no Brasil, gera milhões em premiação na Europa e movimenta muitas casas de apostas: o dardo.

Um carioca de 52 anos, que mora em Nova Friburgo, terá a chance de competir na Copa do Mundo da modalidade na Alemanha, em junho. Bruno Rangel, um ex-piloto de autocross, fará dupla com o jovem Diogo Portella. Será a segunda participação do país na competição.

Para isso, o atleta iniciou uma vaquinha on-line para arrecadar R$ 15 mil e, assim, bancar as despesas da viagem, como hospedagem, deslocamento e alimentação (www.vakinha.com.br/vaquinha/bruno-rumo-ao-mundial-de-dardos-na-alemanha). Até o momento, o valor adquirido não chega a 10% do que ele precisa. No dia 18, ele embarca para Londres para treinar com Portella por duas semanas, antes de disputarem o torneio. E nem a falta de verba o desmotiva.

— Estou buscando como posso. Dardo é um jogo interessante. Adrenalina igual, eu nunca senti. Só quem joga sabe — afirma, sorridente.

Rangel foi apresentado ao dardo aos 16 anos por um amigo em um pub. O divertimento durou pouco tempo porque o ambiente não o atraiu. O foco era nas corridas de automobilismo, que terminaram dramaticamente quando o atleta capotou durante um treino. Tinha só 24 anos. A mão direita ficou presa apenas por alguns nervos e tendões, após um dos ossos rasgá-la como se fosse uma navalha. No hospital, o diagnóstico era de amputação, mas um tio ortopedista salvou o piloto carioca. Foram dois meses de internação, três cirurgias para reconstituir a mão, e Rangel precisou parar de dirigir.

Eis que seis anos depois, após um dia de trabalho em uma concessionária, o dono de um bar o desafiou a acertar o alvo. A força estava justamente na mão reconstruída. Ali, nascia um atleta que conquistou a vaga no seu primeiro Mundial profissional no Campeonato Brasileiro de Palmas, no Tocantins, em março deste ano. Só pela vaga, Rangel já garantiu 1,5 mil libras (cerca de R$ 7.170 mil). Se passar de chave, formada em um sorteio com outras 31 duplas, serão mais R$ 7.170 mil.

O holandês Michael van Gerwen é o número um do mundo nos últimos anos e o mais temido adversário na Professional Darts Corporation (PDC), a liga profissional que mais premia nas competições. Na Copa do Mundo, serão 330 mil libras no total (cerca de R$ 1.577.400 milhão), em um torneio cujo ingresso mais barato custa 100 libras (R$ 478). Uma realidade ainda distante do Brasil.

— Lá fora, eles ganham para isso. Aqui, a gente paga. De um ano para cá tem mudado, há torneios valendo dinheiro; pouco, mas já é algo — diz o atleta do dardo, que sofre de Transtorno de Déficit de Atenção (TDH). — Minha expectativa é me superar. Conheço o meu jogo. Há três anos, eu estava no limbo. Mas no último ano, treinei muito e foquei em conseguir a vaga.

tudo em família

Foi no dardo que o carioca conheceu a fisioterapeuta e juíza Renata. A friburguense é atleta como ele e se apaixonou à primeira vista. Em sete meses, casaram-se, e a lua de mel aconteceu em Londres, onde Rangel disputou seu primeiro Mundial amador. Alguns anos depois, Bianca, a única filha do casal, quase nasceu durante um torneio, já que a bolsa de Renata estourou em uma semifinal.

A família é tão envolvida com o dardo que o sogro de Rangel, Theotonio Espíndola, de 77 anos, é o homem mais velho do mundo a competir.

Siga-nos no

Google News