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“Vamos lá, chega de oba oba”. O comentário do experiente técnico Geraldo Bernardes logo no início do treino passa o recado para Rafaela Silva: é hora de trabalhar. Após a medalha de ouro nas Olimpíadas Rio-2016, a judoca brasileira teve um 2017 movimentado fora dos tatames e apagado dentro deles. Compromissos profissionais lotaram a agenda da carioca de 26 anos, e os resultados escassearam.

A hora de deixar o “oba oba” para trás chegou. Recuperada de uma cirurgia no cotovelo esquerdo, realizada em janeiro, Rafaela Silva volta a competir após cinco meses no Grand Prix de Hohhot, na China, que começa nesta sexta-feira e vai até domingo. A competição marca a abertura do ciclo olímpico, contando pontos para o ranking que vai definir os classificados para os Jogos de Tóquio-2020.

— O ano passado foi muito agitado, cheio de eventos e compromissos. Acho que dei mais entrevistas do que treinei. Agora vou diminuir isso. Até 2020 é foco total — avisou.

Rafaela Silva chegou para a entrevista na quinta à noite, antes de um treino do Instituto Reação em uma sala de combates do Time Brasil no Parque Aquático Maria Lenk, comendo lentamente uma maçã. Entrar no peso para uma competição é um dos grandes pesadelos dos judocas. A peso leve pretendia perder ainda um quilo para chegar aos 57kg de sua categoria antes da viagem para a China, marcada para hoje.

É bem provável que ela tenha chegado perto disso já no treino realizado na quinta-feira. Rafaela disputou quatro intensas lutas, com pouco intervalo entre elas e muita movimentação. E muito suor.

Após o último combate, era visível na judoca o semblante de cansaço, beirando a exaustão (“É muito treino, tô quase chorando”, havia dito ela antes do treinamento começar). Os últimos meses foram puxados, em busca do recondicionamento físico pós-cirurgia.

— Estou fazendo tudo normalmente nos treinos, mas acho que só vou saber se estou 100% mesmo no campeonato — avalia Rafaela, que competiu pela última vez no meio de dezembro no ano passado, quando ficou em quinto lugar no Masters de São Petersburgo.

Carismática, Rafaela pausou a entrevista em alguns momentos para atender a crianças que estavam saindo de um treino e queriam conversar com a campeã olímpica e mundial. Passar dicas aos mais novos é uma constante e um prazer para a judoca, mas o assunto naquele momento era outro: figurinhas repetidas do álbum da Copa. Rafaela Silva chamou atenção nas redes sociais ao completar o álbum com extrema rapidez.

— Comprei R$ 600 em pacotinhos. Estou com duas sacolas de supermercado cheias de repetidas lá em casa — confessou.

Olho no ranking

Completado o álbum (três na verdade: um normal, um de capa dura e um para seu pai), Rafaela pensa agora apenas em Hohhot. O campeonato na China tem importância tripla para a judoca. Além de marcar seu retorno aos tatames e de iniciar o ciclo olímpico, o Grand Prix chinês define os selecionados do Brasil para o Mundial de Baku, no Azerbaijão, em dezembro. Rafaela até já tem a vaga garantida, mas quer subir no ranking (ela é a 11ª) para chegar ao Mundial em posição mais confortável. Para isso, aposta em novidades em seu repertório de golpes.

— Depois de um grande resultado, como o ouro olímpico, você é muito estudada. As adversárias passam a entender o seu jogo. Você tem que treinar coisas novas para surpreendê-las, e espero ter algo novo agora em Hohhot.

Uma outra novidade, essa na vida pessoal de Rafaela Silva, vai ter que esperar mais um pouquinho. No fim do ano passado, a judoca foi pedida em casamento pela namorada-agora-noiva Thamara. Mas Rafaela, ao que parece, pretende “dar uma enrolada”, mas por um bom motivo.

— Casar? Agora não, vamos com calma! Só depois de Tóquio — disse ela, rindo.

Além de Rafaela, o Brasil vai à China com outros nomes fortes de sua seleção, como a bicampeã mundial Mayra Aguiar e Rafael Silva, dono de duas medalhas olímpicas. Ouro em Londres-2012, Sarah Menezes precisa chegar ao-8

menos à final para brigar por uma vaga no Mundial do Azerbaijão. O Grand Prix de Hohhot distribui 750 pontos no ranking para o campeão.

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