Início Esportes liga / campeões / feminina / decisão
Esportes

liga / campeões / feminina / decisão

Envie
Envie

RIO, 31 (AG) - Imagine uma jogadora de um grande clube europeu entrando numa loja de importante marca esportiva de Paris para comprar a chuteira com que disputaria competições por seu time. Certamente não aconteceria com qualquer dos jogadores envolvidos na final da Liga dos Campeões de sábado, em Cardiff. Mas aconteceu com Cristiane, do Paris Saint-Germain, que nesta quinta-feira, às 15h45m (de Brasília), disputa na capital do País de Gales, a decisão da versão feminina do torneio, contra o Lyon. O Sportv 2 transmite.

O caminho que levou os dois clubes franceses à final desta quinta-feira mostra que o futebol feminino cresceu no mundo, mas o fato de a brasileira, uma das principais artilheiras da temporada na Europa, precisar comprar sua chuteira, por não ter patrocínio pessoal de material esportivo, revela a disparidade que ainda separa as mulheres dos homens no futebol.

- Existe uma diferença grande de investimento e de divulgação. Nem falo da diferença de salário para os homens. É muito gritante. A premiação, tudo... Eu mesma não tenho patrocínio. Procurei pessoalmente marcas (esportivas), mas elas são resistentes. Dizem que tenho que procurar as marcas no Brasil. Mas temos esperanças. O jogo de hoje é importante e será disputado - avalia Cristiane, atacante do PSG e da seleção brasileira.

Cardiff receberá as duas finais - masculina e feminina - da Liga dos Campeões, mas os números mostram um abismo entre as duas. O jogo desta quinta-feira, entre PSG e Lyon, clubes de uma das ligas mais fortes do mundo, será no Cardiff City Stadium. Ainda há lugar entre os 33 mil assentos do estádio, mesmo com ingressos custando EUR 7 (cerca de R$ 25).

Já a decisão de sábado, no Millenium Stadium, esgotou há meses os 74.500 lugares, com ingressos originalmente vendidos entre R$ 255 e R$ 1,7 mil. Hoje, só é possível comprar entradas para Real Madrid x Juventus em sites de revenda, por valores que vão de R$ 4 mil a R$ 10 mil.

Isso reflete na premiação. A Uefa pagará ao vencedor da liga feminina EUR 300 mil (cerca de R$ 1 milhão), enquanto o vencedor masculino vai faturar EUR 57 milhões (cerca de R$ 207 milhões).

Um alto investimento conduziu PSG e Lyon à decisão. Cristiane é uma das grandes apostas do PSG, cujo projeto de crescimento do time feminino é mais recente do que o do rival, que acaba de ganhar a liga francesa pela 11ª vez seguida. O fundo de investimento qatari que gere o PSG ampliou há pouco tempo o aporte de recursos.

- Há dez anos, éramos amadoras - diz a defensora Sabrina Delannoy, que joga no PSG desde 2005.

O Lyon é favorito, com um elenco que reúne 26 jogadoras de seleções nacionais. No último verão, buscou quatro reforços justamente no PSG. E conta com a americana Alex Morgan, uma das mais bem pagas do mundo, com salários de EUR 30 mil mensais e um portfólio de patrocinadores pessoais exposto em seu site oficial que inclui marcas internacionais.

No Paris Saint-Germain de Cristiane, a média salarial é de EUR 10 mil a EUR 15 mil. O clube, que na última temporada teve receitas de EUR 520 milhões, tem orçamento anual para o time feminino de aproximadamente EUR 8 milhões.

Siga-nos no

Google News