Uma manobra do presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Paulo Wanderley, fez com que o velejador Lars Grael, duas vezes medalhista olímpico de bronze, nos Jogos Olímpicos de Seul (1988) e de Atlanta (1996), e forte candidato a ocupar a vice-presidência da entidade, declinasse da candidatura. O prazo para as inscrições tanto para este cargo quanto para as cadeiras nos Conselhos Administrativo e de Ética se encerrou ontem. E Lars, hoje presidente da Comissão Nacional de Atletas, membro do Conselho Nacional dos Esportes (CNE) e superintendente Técnico da Confederação Brasileira de Clubes, não está no páreo.
Querido e respeitado na comunidade do esporte, o velejador ainda estava sendo convencido por atletas, ex-atletas, associações e outros agentes do esporte a entrar no pleito, que será em 23 de março. Até um almoço foi organizado, há cerca de 20 dias, pela comunidade esportiva, com o objetivo de persuadi-lo. Mas um telefonema de Wanderley estragou a festa.
— Não lembro exatamente as palavras que usei. Falei como amigo e dei minha posição de que, neste momento, acho justo que o vice seja alguém do colégio eleitoral — admitiu Wanderley. — Em absoluto pedi, com essas palavras, que desistisse.
Depois do episódio, Lars desistiu do processo. Comenta-se, porém, que o velejador recuou num primeiro momento de olho no futuro, nas eleições para a presidência, em 2020.
— Eu não me candidatei porque julguei que não era o momento. O COB ainda atravessa uma fase de transição e fico feliz em saber que há três candidatos qualificados na disputa — respondeu Lars ao GLOBO.
Agora, ao menos três concorrerão ao cargo: o coronel reformado Marco La Porta, atual presidente da Confederação Brasileira de Triathlon, o acadêmico José Medalha, ex-técnico de basquete, profissional de Educação Física com mestrado (Treinamento Esportivo) e doutorado (Administração Esportiva) pela Universidade do Indiana (EUA), e Marcel, ex-integrante da seleção brasileira de basquete por 20 anos (tem quatro Olimpíadas no currículo) e que foi diretor do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, em São Paulo.
Mas, a lista pode ser maior. Isso porque o COB não confirmou quais candidaturas foram inscritas (era preciso apoio de três membros da Assembleia Geral). Explicou, porém, que vai divulgar a informação após checagem de uma empresa de auditoria externa, que irá confirmar se os nomes estão em conformidade com regras do novo estatuto, incluindo ter currículo compatível e ser “ficha limpa”.
Inicialmente, o candidato do colégio eleitoral era Ricardo Machado, da Esgrima. Mas a Associação Brasileira de Esgrimistas (ABE) fez pressão e revelou problemas em sua gestão na aplicação da verba pública, proveniente da Lei Agnelo Piva, apontados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e Controladoria Geral da União (CGU). Depois disso, ele se retirou do processo.
Assim, La Porta, que havia pensado em concorrer a uma cadeira do Conselho Administrativo, foi lançado a vice.
— Acho que posso contribuir muito mais na vice-presidência. Tenho bom trânsito nas Forças Armadas e em Brasília, no Ministério do Esporte. Quero fazer parte desse processo de mudança — disse o coronel.

