afp.com / Alexey Nikolsky
ochi (Rússia) (AFP) - A Rússia implementou nesta terça-feira, a um mês do início dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, medidas de segurança sem precedentes na história olímpica, depois do ressurgimento de temores de atentados após os ataques suicidas ocorridos em dezembro.
A partir desta terça-feira a entrada em Sochi de motociclistas será controlada e o acesso a esta cidade de 350.000 habitantes estará proibido aos veículos procedentes do exterior que não tenham uma autorização especial.
A navegação no Mar Negro também será limitada.
As forças de segurança, já presentes em grande número nesta estação balneária localizada entre o Mar Negro e as montanhas do Cáucaso, foram reforçadas.
Cerca de 37.000 agentes da polícia e de unidades do exército farão parte da operação para garantir a segurança.
As Olimpíadas de Inverno vão acontecer entre 7 e 23 de fevereiro, mas as medidas de segurança vão ser mantidas até o dia 23 de março, uma semana depois do final dos Jogos Paralímpicos (de 7 a 16 de março).
Trata-se do maior evento internacional organizado pela Rússia desde a queda da URSS, em 1991, e um acontecimento ao qual o presidente Vladimir Putin tem concedido muita importância, já que deseja transformá-lo em uma vitrine para o país. Algumas pessoas já tem chamado essas olimpíadas de os "Jogos de Putin".
Mas alguns líderes ocidentais, como os presidentes francês e alemão, não irão participar da cerimônia de abertura em 7 de fevereiro, um gesto considerado como uma forma de protesto contra as violações dos direitos Humanos na Rússia denunciadas por organizações.
No último fim de semana, o presidente Putin cedeu às pressões do Comitê Olímpico Internacional (COI) e autorizou as manifestações durantes os Jogos em "uma zona especial", voltando atrás em um decisão inicial de proibir qualquer tipo de protesto.

afp.com / Alexander Nemenov
Militares e mísseis
Policiais russos detêm uma ativista dos direitos dos gays, que protesta contra as leis que afetam os homossexuais, em frente à sede do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em Moscou, em 25 de setembro de 2013
As medidas excepcionais de segurança em Sochi foram decididas há tempos, sobretudo pela ameaça terrorista do chefe da rebelião islamita do Cáucaso, Doku Umarov, que em julho chamou seus partidários a impedir a realização dos Jogos Olímpicos de Inverno "por todos os meios".
Mas os temores foram reforçados depois que 34 pessoas morreram em dois atentados suicidas no final de dezembro em Volgogrado (sudoeste), a 700 km de Sochi.
O dispositivo de segurança para esses Jogos, controlado pelo poderoso Serviço Federal de Segurança (FSB), é ainda mais estrito que o organizado para os Jogos Olímpicos de Pequim em 2008.
"A partir de 7 de janeiro, todas as unidades encarregadas da segurança dos atletas participantes e dos convidados aos Jogos Olímpicos estarão prontas para intervir a qualquer momento", declarou na segunda-feira o ministro russo das Situações de Emergência, Vladimir Puchkov.
A vigilância também será realizada no céu, com um sistema por satélite, acrescentou.
O exército de Terra russo também participará nas operações de segurança devido às "novas ameaças à segurança interna", declarou recentemente o comandante em chefe das forças terrestres russas, o general Vladimir Chirkin.
Os militares vão dispor em Sochi de sistemas de defesa antiaérea Pantsir-S, uma nova geração de mísseis terra-ar.
A Rússia também irá monitorar todas as comunicações graças a um sistema que permite ao FSB ter acesso a todas as chamadas telefônicas e na internet, e cuja existência foi revelada no final de 2013 por dois jornalistas russos


