Atuar em ambientes tradicionalmente dominados por homens ainda representa um desafio significativo para muitas mulheres, especialmente no futebol, onde as barreiras são ainda mais altas. Neste Mês da Mulher, atletas, narradoras e jovens que iniciam suas trajetórias no esporte compartilham como a determinação e a vontade de vencer as sustentam em um campo que foi, por quase 40 anos, proibido para elas.
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) selecionou quatro projetos sobre futebol feminino liderados por mulheres. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou o calendário do futebol feminino para 2026, com datas, horários e locais definidos para o Brasileirão Feminino.
Segundo dados de 2022 da CBF, o número de jogadoras profissionais registradas era de apenas 360, além de 17 árbitras. Há três meses no Ministério do Esporte, a ex-jogadora Formiga, que ocupa a Diretoria de Políticas de Futebol e Promoção do Futebol Feminino, enfatiza a necessidade de um ambiente seguro para aumentar a presença de mulheres no esporte. Formiga é a única atleta a participar de sete Copas do Mundo e já conquistou duas medalhas de prata olímpicas e um título nos Jogos Pan-Americanos de 2007.
“Precisamos garantir segurança não apenas para as atletas de hoje, mas para todas as meninas e mulheres, independentemente de suas funções, sejam treinadoras, árbitras ou diretoras”, afirma Formiga. Ela enfatiza a importância da formação de base e ressalta que, apesar do talento abundante entre as meninas, a falta de estrutura limita o progresso. “Todos os estados precisam consolidar equipes femininas, com foco na formação de base, como acontece em São Paulo”, acrescenta.
Isadora Jardim, de 14 anos, é um exemplo de superação. A jovem atleta deixou o Distrito Federal e se mudou para São Paulo para atuar no Corinthians. Com uma rotina que inclui treinos matutinos e estudos à tarde, ela foi convocada para a Seleção Brasileira sub-15. Isadora relata que já enfrentou comentários desmotivadores, como “futebol não é para mulher”, mas aprendeu a lidar com isso e a se fortalecer. “Deixo meu apoio a todas as meninas que sonham em jogar futebol: nunca desistam e continuem treinando”, incentiva.
A narradora Luciana Zogaib, que atua na TV Brasil e na Rádio Nacional, também aborda a predominância masculina no futebol. “O rádio tem 100 anos, e só havia homens fazendo locução. O machismo no futebol é muito forte”, comenta. Ela ressalta a importância da presença feminina nas cabines de locução para expandir o mercado e gerar mais oportunidades.
A EBC prioriza a exibição do futebol feminino e participa das câmaras temáticas preparatórias para a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que será realizada no Brasil. Recentemente, a secretária extraordinária para a competição, Juliana Agatte, se reuniu com o presidente da EBC, Andre Basbaum, e o diretor-geral, David Butter, para discutir o legado social e esportivo que a Copa deixará no país.
Pela terceira vez consecutiva, a TV Brasil transmitirá jogos da Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino, além de confrontos decisivos das Séries A2 e A3, a partir das semifinais. O público também poderá acompanhar as decisões das categorias de base do Brasileirão Feminino Sub-17 e Sub-20, com o objetivo de aumentar a visibilidade do esporte no Brasil.
Extraído de Agência Brasil


