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para o caldeirão ferver

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Conhecido como Caldeirão da Baixada, o estádio do Atlético Paranaense tem se preparado para fazer ferver muitas outras torcidas e espectadores além do futebol. A partir de terça-feira, a diretoria do rubro-negro de Curitiba terá seu maior teste com o início das finais da Liga Mundial masculina de vôlei, que vão até o próximo sábado, com a presença da seleção brasileira, que busca o décimo título. Será a primeira vez que a fase decisiva será disputada em um local onde a grande atração é a bola rolando no gramado.

Sediar eventos fora do futebol faz parte da estratégia traçada pela diretoria do clube logo após o fim da Copa do Mundo de 2014. As reformas antes e depois do Mundial foram concebidas dentro do projeto de transformar o estádio numa verdadeira arena multiuso, capaz de se autossustentar com o maior número de eventos possíveis.

Além das exigências da Fifa para sediar o Mundial, que tornaram o estádio mais moderno, e, consequentemente, mais custoso, o clube optou por duas escolhas de olho no mercado, a fim de torná-lo sustentável: o teto retrátil, construído no início de 2015, e a grama sintética. Desta forma, o estádio está apto a receber qualquer evento independentemente das condições climáticas.

— O estádio, por causa da Copa, é tripartite, com prefeitura e governo estadual. Não é um legado apenas para o futebol. Ele foi reformado para além das 35, 36 datas do futebol que temos por ano. É muito pouco uso para o gasto que temos. Após a reforma, temos um custo de quase R$ 800 mil mensais; antes era de um terço desse valor — conta o presidente do Conselho Deliberativo do clube, Mário Celso Petraglia.

Ele acrescenta que o uso em outros eventos tem ajudado muito a complementar a renda de manutenção do estádio, sobretudo com a crise econômica atual. Além de jogos do vôlei — o local já havia recebido um amistoso entre Brasil e Portugal, no fim do ano passado, pela despedida do líbero Serginho —, a Arena já recebeu shows de artistas internacionais, como Rod Stewart, e eventos de UFC.

— Ele é um complexo multiúso para atender várias atividades. Temos 125 mil metros quadrados de área construída, que contam com salas, lojas, que viabilizam eventos empresariais, até megaeventos. As ações paralelas ao futebol ajudam a manter o estádio — explica Petraglia, ressaltando que o sucesso do jogo amistoso no ano passado, que recebeu 40 mil pessoas, foi fundamental para o acerto com a Federação Internacional de Vôlei (FIVB). — As finais da Liga seriam, inicialmente, na Europa. Mas a federação avaliou positivamente o evento aqui no ano passado e as negociações começaram no início deste ano.

Com o acordo viabilizado, sobretudo com a ajuda do ex-jogador Giba, representante da FIVB, e natural do Paraná, o clube criou um projeto para receber as finais da Liga com o maior público possível. Um miniginásio foi montado dentro do campo. Apenas as arquibancadas superiores serão ocupadas, e haverá um espaço em volta da quadra para pouco mais de três mil espectadores. O público estimado é de 28 mil pessoas por dia, o que será recorde em finais da Liga Mundial, comumente disputadas em ginásios com capacidades menores. Para se ter uma ideia, a decisão do ouro olímpico, no Maracanãzinho, entre Brasil e Itália, recebeu cerca de 12 mil torcedores.

Um dos idealizadores do projeto, Luiz Volpato, diretor de operações do Atlético-PR e formado em Arquitetura, acredita que o evento será um divisor de águas para todo o país como plano de negócio.

— Será um espetáculo pela grandiosidade do evento e pela interação e proximidade que o público terá com a quadra, os jogadores. No modelo do projeto, criaremos um espaço em volta da quadra e um lounge de circulação que permite uma harmonização enorme — explicou o diretor.

A montagem do ginásio começou logo após o jogo entre o Atlético-PR e o Vitória, no dia 25 de junho, e mais de 500 profissionais ajudaram no processo. Além do Brasil, Sérvia, França, Estados Unidos, Rússia e Canadá jogarão na Arena da Baixada.

No entanto, sediar as finais da Liga Mundial não foram apenas flores. A diretoria do Atlético-PR teve que lidar com as críticas da própria torcida, pois o primeiro jogo das oitavas de final da Libertadores, contra o Santos, em casa, quarta-feira, teve de mudar de campo. A coincidência de datas foi um risco que os dirigentes assumiram em nome da sustentabilidade financeira do estádio. À época das negociações já havia a possibilidade de a data da partida ser marcada para o mesmo período da competição de vôlei.

Além disso, a primeira opção da diretoria, o Couto Pereira, não foi liberada pelo rival, o Coritiba, apesar de haver um contrato bilateral de aluguel entre os clubes. O Atlético chegou a entrar com ação na Justiça, na semana passada, mas, por questão do tempo, optou pela Vila Capanema, do Paraná Clube. Foi preciso conseguir um laudo de segurança para o estádio ser liberado pela Conmebol, que exige capacidade mínima de 20 mil torcedores.

A estrutura será desmontada no dia seguinte à final da Liga Mundial e estará liberada para o jogo contra o Cruzeiro, no dia 12 de julho.

— O gramado estará ótimo, no mesmo nível que estaria se não tivesse ocorrido o evento — garante Petraglia.

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