SALVADOR - A Fonte Nova Negócios e Participações (FNP), consórcio formado por Odebrecht Properties e OAS Arenas e concessionário da Arena Fonte Nova, palco dos jogos da Copa de 2014 em Salvador, anunciou, na manhã desta segunda-feira, por 35 anos, a assinatura do primeiro contrato de concessão de direito de uso de nome de estádio no Brasil - os chamados naming rights -, com o Grupo Petrópolis. A empresa produz a cerveja Itaipava - além de outras cinco marcas -, o energético TNT, o isotônico Ironage e três marcas de vodca.
Com a formalização do negócio, a arena passa a se chamar Itaipava Arena Fonte Nova. O contrato tem duração de dez anos, com opção de renovação por mais dez, e está orçado em R$ 100 milhões, parcelados durante o período de vigência do acordo.
Pelo contrato, além de dar nome à arena, o Grupo Petrópolis terá espaços para divulgação da marca dentro do estádio e direito de exclusividade na comercialização, na arena, de produtos das áreas em que atua. Os acordos, porém, ficam suspensos durante os períodos de realização da Copa das Confederações, em junho deste ano, e da Copa do Mundo, no ano que vem - nos quais o estádio passa a ser de responsabilidade da Fifa.
Como a venda de bebidas alcoólicas é proibida em partidas de futebol no País, o grupo vai disponibilizar cervejas sem álcool nos espaços de alimentação, além de energético e isotônico. A exploração dos espaços tem início já no domingo, quando a arena será inaugurada, com um clássico entre Bahia e Vitória. "Nossa principal motivação, porém, é o fortalecimento da marca neste mercado", diz o diretor de mercado do Grupo Petrópolis, Douglas Costa.
O presidente da FNP, Frank Alcântara, lembra também que a arena é multiuso e que em eventos que não envolvam futebol - como a gravação do próximo DVD da cantora Ivete Sangalo, já agendada para o fim do ano, no estádio - a venda de bebidas alcoólicas estará liberada.
INTERESSE ESTRATÉGICO
A negociação para a venda do nome do estádio para o Grupo Petrópolis foi rápida - durou menos de três meses, segundo os envolvidos. "Fomos procurados pelos executivos da arena no momento em que procurávamos espaços para anunciar na Bahia", conta Costa. "Foi a união da fome com a vontade de comer."
O interesse no Estado vem da necessidade do grupo de se tornar conhecido em um mercado em que praticamente não chega - tem por volta de 0,5% do mercado de cervejas na Bahia, enquanto ocupa a vice-liderança do mercado nacional, com cerca de 11% de participação (a Ambev lidera, com quase 70% de participação).
O grupo inaugura, em julho, sua primeira fábrica no Nordeste, em Alagoinhas, a 108 quilômetros de Salvador - onde a principal concorrente no mercado nacional, a Brasil Kirin, proprietária, dentre outras, da Nova Schin, também tem uma planta. Com a unidade, orçada em R$ 600 milhões, em operação, o Grupo Petrópolis tem como meta alcançar 15% do mercado local nos próximos dois anos.
"Existe essa boa expectativa dos consumidores, de experimentar um novo produto, e queremos unir isso à relação emocional que o povo baiano tem com a Fonte Nova", diz Costa, ressaltando a manutenção do antigo nome na nova arena. "Esse laço é uma forma importante de construir uma relação duradoura com a população. Tanto que já manifestamos o interesse de manter essa parceria com a Fonte Nova enquanto durar a concessão."
PERNAMBUCO
No mercado, existe a expectativa de que a Itaipava também dê nome à Arena Pernambuco, palco dos jogos da Copa em Recife. Os rumores são baseados na chegada do Grupo Petrópolis ao Estado, com a inauguração de uma fábrica da Itaipava, também orçada em R$ 600 milhões, no município de Itapissuma, a 45 quilômetros da capital - onde já existe uma planta da Ambev.
Costa confirma que existe uma negociação com a Arena Pernambuco, mas diz que ela ainda está em andamento. "Os termos e valores são semelhantes aos da Fonte Nova", conta. "A Arena Pernambuco é uma com as quais estamos negociando. São duas ou três oportunidades como essa que ainda estamos avaliando pelo País."

