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Saída de Dudu fortalece cofres do Palmeiras, mas deixa lacuna em campo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Palmeiras oficializou nesta segunda-feira (20) a saída do atacante Dudu, 28, seu principal jogador e ídolo atual da torcida, para o Al Duhail, do Qatar. O negócio foi feito por empréstimo de um ano no valor de 7 milhões de euros (R$ 43 milhões). No fim de junho de 2021, o time catariano terá a opção de compra dos direitos por mais 6 milhões de euros (R$ 36,8 milhões). O Palmeiras poderá receber mais um 1 milhão de euros (R$ 6,1 milhões) a depender de metas de desempenho. A oferta é tratada como irrecusável num momento de crise em decorrência da pandemia de Covid-19. O Palmeiras, uma das poucas equipes brasileiras com relativa saúde financeira atualmente, cortou salários dos jogadores em 25% nos últimos meses. A saída do atleta também gerará uma economia de quase R$ 2 milhões -vencimentos mais parcela de luvas- por mês aos cofres do clube alviverde, já que ele possuía o maior salário do elenco e dividia esse posto no país com o atacante rubro-negro Gabigol. O investimento em Dudu chegou a esse patamar porque o Palmeiras precisou fazer um esforço extra para mantê-lo no país após assédio do mercado chinês em meados da temporada 2018 e início de 2019. No Qatar, o atleta receberá ainda mais. Também pesa na negociação o momento pessoal vivido pelo jogador, acusado de agressão por sua ex-mulher, Mallu Ohana, desde o último mês -algo que futuramente, se comprovado, afetará também seu papel de ídolo dos últimos anos. Dudu nega ter a agressão, e o caso é investigado pela polícia. Se pelo lado do dinheiro o negócio com o Al Duhail é positivo para jogador e clube, no aspecto esportivo a transferência cria um problema para o Palmeiras. Faz cinco anos que o atacante está no grupo dos melhores do país e é o principal jogador do elenco alviverde, fundamental nos títulos da Copa do Brasil de 2015 -com dois gols na final contra o Santos- e dos Campeonatos Brasileiros de 2016 e 2018. No último Nacional conquistado, segundo levantamento da reportagem, Dudu teve participação em 31 dos 61 gols do clube. Foram 7 gols, 12 assistências diretas e outras 12 participações incisivas em lances de gols dos colegas. Números que o credenciaram a levar o prêmio de melhor jogador da competição. Dudu também é o maior artilheiro do Allianz Parque, estádio inaugurado no final de 2014, com 33 gols. Além dos troféus, o atleta simboliza um período de reviravolta. No dia 11 de janeiro de 2015, pouco mais de um mês após ter escapado do que seria seu terceiro rebaixamento no Brasileiro, o torcedor palmeirense acordou com a notícia da contratação de Dudu. O camisa 7 era alvo de disputa entre Corinthians e São Paulo e nem sequer era especulado no Palmeiras, que não estava em boas condições financeiras nas temporadas anteriores e costumava ser preterido pelos rivais na escolha dos atletas. A contratação foi o cartão de visitas do diretor Alexandre Mattos (demitido em baixa no fim de 2019). Recém-chegado do então bicampeão nacional Cruzeiro, o dirigente, com o aporte da patrocinadora Crefisa, iniciou uma série de contratações de atletas. O "chapéu" sobre os rivais, como ficou conhecido o anúncio do atacante, marcou não somente a volta da força do clube no mercado de contratações, mas o retorno do time ao posto de protagonista do futebol brasileiro. O jogador, porém, não chegou como salvador da pátria para o torcedor. Apesar do bom futebol mostrado logo nos primeiros jogos com a camisa do clube, seu início foi difícil, principalmente após a perda do Campeonato Paulista de 2015 para o Santos. Na ocasião, ele errou um pênalti no primeiro jogo da final, que poderia aumentar a vantagem da equipe para o confronto decisivo, na Vila Belmiro. O time venceu por 1 a 0. No segundo jogo, o Palmeiras foi derrotado pelo adversário por 2 a 1 no tempo normal e por 4 a 2 nas cobranças de pênaltis. A imagem mais marcante da decisão foi a do descontrole emocional de Dudu, que empurrou e chamou de "safado" o juiz Guilherme Ceretta ainda no primeiro tempo e foi expulso. A derrota trouxe olhares desconfiados dos torcedores da equipe alviverde, mas, ainda naquela temporada, o atleta daria a volta por cima, contra o mesmo Santos, e seria campeão da Copa do Brasil. Desde então, Dudu conquistou mais dois títulos nacionais e carregou a alcunha de "guerreiro" nos cânticos da torcida. Pelo clube alviverde, foram 305 jogos e 70 gols. Os dez gols marcados e as 15 assistências em 53 confrontos contra os rivais Corinthians, Santos e São Paulo foram primordiais para transformá-lo no maior ídolo contemporâneo do clube. Até o final de 2019, ele tinha a companhia nesse patamar de prestígio do goleiro Fernando Prass, hoje no Ceará e que saiu descontente com a não renovação do seu contrato. Isso evidencia um grave problema da gestão do presidente Mauricio Galiotte: não saber valorizar um atleta com importância histórica para o clube -e não se fala do lado financeiro aqui. Na parte técnica, há dois jogadores que podem cumprir a função de Dudu em campo, de partir para cima dos adversários em velocidade e romper linhas defensivas com dribles: Rony, 25, e Gabriel Veron, 17. O primeiro, que chegou ao time no começo do ano, foi suspenso pela Fifa por quatro meses, devido a pendências em sua contratação pelo Athletico, no ano passado. O segundo é tido como a grande revelação palmeirense desde Gabriel Jesus, mas acabou de ser promovido ao time principal e ainda precisará de mais rodagem. No Brasil, também não há tantos jogadores com as características ofensivas de Dudu. Everton, do Grêmio, e Bruno Henrique, do Flamengo, são os que mais se aproximam. Até por isso, o clube alviverde diz que não irá ao mercado atrás de um substituto.

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