Está na discrição dos tribunais e dentro de um disco rígido a verdadeira batalha que poderá definir o próximo presidente do Vasco. Enquanto os votos da urna 7 da eleição da última terça-feira ficam sob suspeita a cada nova história que surge, diretoria e oposição duelam na Justiça para saber quem ficará com o banco de dados que promete revelar, de uma vez por todas, se houve ou não quitação das mensalidades dos 663 sócios suspeitos.
A disputa é travada desde agosto, quando ação conjunta movida por Fernando Horta e Julio Brant, então candidatos de oposição, conseguiu a apreensão do banco de dados vascaíno. Nele, há toda movimentação financeira dos sócios do clube. Os arquivos estão custódia do desembargador Cherubin Schwartz Júnior, da 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do estado do Rio.
Redução de sócios
O Vasco entrou com um mandado de segurança para reaver o disco rígido, que ainda não foi aberto. O clube reclama que o advogado dos requerentes teria tido acesso ao banco de dados e que por isso ele poderia ter adulterado as informações. No primeiro julgamento do mandado, no último dia 30, não houve decisão unânime a respeito do pedido, mas curiosamente Eurico saiu sem grandes esperanças: dos três votos do colegiado, dois julgadores negaram devolver ao Vasco o HD, e uma terceira votou por não tomar conhecimento do mandado, por falta de requisitos mínimos.
Essa falta de consenso dos desembargadores gerou um novo julgamento, conforme diz a lei, que foi marcado para a terça-feira do dia da eleição. Mas, de acordo com a oposição, a sessão não ocorreu por ausência de um dos julgadores pautados para a sessão.
Notificado pela Justiça para explicar em 48 horas se os votantes da urna 7 estavam realmente aptos a votar no Vasco, a administração Eurico Miranda se viu às voltas com mais um problema. Indagada pelo GLOBO, a gestão demorou para explicar como houve um aumento de aproximadamente R$ 1,14 milhão na rubrica “Quadro Social”, no balanço financeiro de 2016, em comparação aos dados de 2015, sendo que houve um aumento de 663 sócios pagantes, que entraram no período de novembro e dezembro de 2015, e o lançamento do programa de sócio torcedor Gigante, em abril de 2016.
De acordo com o clube de São Januário, apesar das adesões da discórdia, houve uma diminuição geral no número de sócios pagantes. O clube alega que da eleição de 2014 para a deste ano o número caiu em 3 mil sócios, que explica a baixa variação.

