Depois de perder o pai, Erich Brill, também artista plástico - que chegou a retratar Albert Einstein-, morto em um campo de concentração, Alice, nascida em 1920, deixou a cidade de Colônia com a mãe para fugir do nazismo e chegou ao Brasil, em 1934. Na década seguinte, começou a frequentar o Grupo Santa Helena, associação de pintores do Centro de São Paulo. Lá, ela entrou em contato com Aldo Bonadei (1906-1947), Yolanda Mohalyi (1909-1978) e Hansen Bahia (1915-1978), que influenciaram seus traços na pintura a óleo, cujo tema era a paisagem urbana da capital paulista.
Em 1946, Alice Brill ganhou uma bolsa de estudos nos Estados Unidos e fez cursos de desenho, pintura, história da arte, literatura e filosofia na Universidade do Novo México e na Art Student’s League, em Nova York. Em seguida, retornou o Brasil e começou a fotografar para a revista Habitat, para a qual fazia reportagens sobre arquitetura e artes plásticas.
A produção fotográfica da alemã foi intensa, com cerca de 14 mil imagens, cujos negativos foram doados ao Instituto Moreira Salles. Na sequência, foi convidada por Pietro Maria Bardi (1900-1999), então diretor do Museu de Arte de São Paulo, a fazer um trabalho sobre o dia a dia da cidade.
Alguns dos destaques são a foto batizada de Movimento na Rua Direita e outro flagrante dos frequentadores de uma feita livre na Rua Oscar Freire, décadas antes de a via se tornar ponto de referência de lojas de grife. Ao mesmo tempo em que se dedicava a clicar o cotidiano dos paulistanos, Alice fazia pinturas em que reproduzia figuras humanas em casarões e apartamentos, em que tentava traduzir a solidão dos habitantes de uma metrópole.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

