BEIRUTE, 6 Mar (Reuters) - Cerca de 100.000 pessoas fugiram para abrigos no Líbano e espera-se que o número de deslocados aumente rapidamente após alertas israelenses "sem precedentes" ordenando que as pessoas saiam de grandes partes do país, disse uma autoridade sênior da ONU na sexta-feira.
Com a guerra em curso entre Israel e o Hezbollah do Líbano, os militares israelenses ordenaram na quinta-feira que os moradores saíssem dos subúrbios ao sul de Beirute, incluindo áreas controladas pelo grupo apoiado pelo Irã, bem como partes do leste do Vale de Bekaa, depois de ordenar que as pessoas saíssem de uma faixa do sul do Líbano na quarta-feira.
"O que vimos nos últimos dias é, eu diria... sem precedentes em termos da escala aqui no Líbano dos alertas, das ordens de deslocamento e da reação, do pânico também, que tudo isso criou", disse Imran Riza, coordenador humanitário da ONU no Líbano, à Reuters.
"No momento, há cerca de 100.000 pessoas que estão, até esta manhã, em 477 abrigos coletivos. Há cerca de 57 abrigos que ainda têm algum espaço, mas basicamente a capacidade está sendo atingida muito, muito rapidamente."
Ao destacar o pânico e o engarrafamento causados pelas ordens de deslocamento israelenses, Riza afirmou: "As pessoas estavam se deslocando por toda parte e não sabiam para onde ir. Então, sim, acho que teremos um aumento no número de pessoas rapidamente".
Ele observou que mais de um milhão de pessoas foram desalojadas no Líbano durante uma guerra entre o Hezbollah e Israel em 2024, 75-80% das quais não estavam em abrigos. "Desta vez, novamente, a maioria provavelmente não estará em abrigos", disse.
(Reportagem de Tom Perry)

