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Ameaças de Trump reforçam orgulho nacional no Irã

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ANCARA — A posição de endurecimento assumida pelo presidente americano, Donald Trump, contra o Irã, com ameaças de retorno de sanções econômicas, deixou os iranianos preocupados sobre possíveis dificuldades financeiras que o país pode atravessar, mas reforçou o orgulho nacional e o apoio ao governo do presidente, Hassan Rouhani, de não se curvar às exigências americanas.

— Quem diabo é Trump para ameaçar o Irã e os iranianos? — questionou a dona de casa Minou Khosravani, de 37 anos, moradora de Yazd, à Reuters. — É claro que não queremos dificuldades econômicas, mas isso não significa que seremos um fantoche e faremos qualquer coisa que disserem.

Na sexta-feira, Trump determinou que o Congresso americano reavalie o acordo assinado com Teerã em 2015, que determinou a suspensão de sanções econômicas ao país em troca do desmantelamento do programa de armas nucleares.

Minutos após o discurso de Trump, Rouhani foi à TV estatal pra descartar qualquer renegociação do acordo assinado por Teerã com os EUA, China, França, Rússia, Reino Unido, Alemanha e União Europeia. O presidente iraniano também sinalizou que pretende se retirar do acordo caso os interesses do país não sejam preservados.

O posicionamento recebeu apoio até mesmo de opositores do regime, como a cabeleireira Ziba Ghanbari, de 42 anos, moradora da cidade de Rasht.

— Não sou partidária do regime, mas apoio os governantes do Irã contra Trump e sua pressão ilógica sobre o Irã — avaliou Ghanbari.

Pelo Twitter, o ex-oficial Mostafa Tjzadeh, que passou sete anos como prisioneiro político no Irã, exortou união contra o presidente americano:

“Uma nação, uma mensagem: Não a Trump. Nós estamos juntos”.

De acordo com números do governo, cerca de 15% da população economicamente ativa está desempregada no Irã, e muitos empregos formais pagam salários miseráveis, fazendo com que o número de pessoas sem trabalho adequado para subsistência seja ainda maior.

Caso novas sanções sejam aplicadas, o corte nos investimentos estrangeiros deve aprofundar ainda mais a crise e aumentar o desemprego. Nos últimos dias, as casas de câmbio iranianas se recusaram a vender dólares, por causa da desvalorização do rial provocada pelas incertezas. A população teme que novas sanções também influenciem os preços dos alimentos básicos.

— A minha preocupação é que a economia retorne à época das sanções, quando tínhamos dificuldades para conseguir alimentos essenciais e até mesmo remédios — disse o professor primário Gholamali Part, de 43 anos, de Teerã. — Eu quero que meu filho tenha uma vida boa.

Desde a primeira eleição de Rouhani, em 2013, a inflação caiu para um dígito, mas o governo falhou em resolver o problema do desemprego e a desigualdade econômica é crescente.

Em artigo publicado neste sábado, o diário moderado “Arman” escreveu que “’uma unanimidade rara apoia o Irã no mundo’” é a definição mais próxima do humor após o discurso de Trump da noite passada”.

A decisão de Trump joga para o Congresso a responsabilidade de manter o acordo ou reativar as sanções contra o país xiita. Internamente, o retorno das sanções pode complicar a situação política de Rouhani, que foi criticado publicamente pelo líder supremo, Aiatolá Ali Khamenei, pelo ritmo lento da recuperação econômica.

Khameneis apoiou cautelosamente a assinatura do acordo, expressando repetidamente pessimismo sobre o comprometimento americano.

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